VALORES, EDUCAÇÃO INFANTIL E DESENVOLVIMENTO MORAL

CONCEPÇÕES DOS PROFESSORES

  • Juliana dos Santos Lima
  • Gilberto Lima dos Santos
Palavras-chave: Valores morais. Educação infantil. Professor.

Resumo

Na sociedade brasileira atual, a moralidade surge como um dos mais relevantes desafios às práticas educacionais. O estudo tem como objetivo compreender como os professores da educação infantil concebem os valores em relação às suas práticas pedagógicas e ao desenvolvimento moral das crianças. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, em que se utiliza a entrevista semiestruturada para a produção de informações. Os participantes são oito educadores da educação infantil. Eles atuam numa escola pública situada em Jaguarari, uma pequena cidade da Bahia. Os resultados mostram que os valores aparecem nos discursos e ações dos professores, assim como nas atividades que eles propõem aos alunos, embora tentem esquivar-se da responsabilidade. Os professores são cuidadosos na relação com os alunos, mas esta relação se processa de modo assimétrico e prioriza o dever, o respeito unilateral e a obediência. Isto significa que os professores assumem uma posição adultocêntrica em suas práticas.

Referências

BARBOSA, L. O jeitinho brasileiro: a arte de ser mais igual do que os outros. Rio de Janeiro: Campus, 1992.

BARRIOS, A.; MARINHO-ARAÚJO, C. M.; BRANCO, A. U. Formação continuada do professor: desenvolvendo competências para a promoção do desenvolvimento moral. Psicologia Escolar e Educacional,São Paulo, v. 15, n. 1, p. 91-99, 2011.

BOFF, L.Ética e moral:a busca dos fundamentos. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

BRASIL. Parâmetros nacionais de qualidade para a educação infantil. Brasília, DF: MEC, 2006.

CAMPOS, M. M.et al.A qualidade da educação infantil: um estudo em seis capitais brasileiras. Cadernos de Pesquisa,São Paulo, v. 41, n. 142, p. 20-54, 2011.

CHAUÍ, M. S. Ideologia e educação. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 42, n. 1, p. 245-257, 2016.

DIAS, A. A. Educação moral e autonomia na educação infantil: o que pensam os professores. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v. 18, n. 3, p. 370-380, 2005.

GOERGEN, P. Educação e valores no mundo contemporâneo. Educação & Sociedade, Campinas, v. 26, n. 92, p. 983-1011, 2005.

GONÇALVES, M. G.; BOCK, A. M. B. Indivíduo-sociedade: uma relação importante na psicologia social. In: BOCK, A. M. B. (Org.). A perspectiva sócio-histórica na formação em psicologia. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 41-99.

MARTINS, J. S. O poder do atraso. São Paulo: Hucitec, 1994.

MENIN, M. S. S. Valores na escola. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 28, n. 1, p. 91-100, 2002.

MOORE JR., B. Injustiça:as bases sociais da obediência e da revolta. São Paulo: Brasiliense, 1987.

MORIN, E. Ética e sociedade. In: PENA-VEGA, A.; ALMEIDA, C. R. S.; PETRAGLIA, I. (Org.). Edgar Morin: ética, cultura e educação. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2011. p. 39-45.

MÜLLER, A.; ALENCAR, H. M.Educação moral:o aprender e o ensinar sobre justiça na escola.Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 38, n. 2, p. 453-468, 2012.

NEFF, K.; HELWIG, C. A constructivist approach to understanding the development of reasoning about rights and authority within cultural contexts. Cognitive Development, Amsterdam, v. 17, p. 1429-1450, 2002.

NUNES, A. M. B. G. Desenvolvimento moral e práticas pedagógicas na educação infantil: um estudo sociocultural construtivista. 2009. 255 f. Dissertação (Mestrado em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde) – Programa de Pós-Graduação em Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2009.

PIAGET, J. Os procedimentos da educação moral. In: MACEDO, L. (Org.).Cinco estudos de educação moral. 2. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999. p. 1-36.

PIAGET, J. Seis estudos de psicologia. 25. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2015.

SOUZA, V. L. T.; PLACCO, V. M. N. S. O auto-respeito na escola. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 38, n. 135, p. 729-755, 2008.

VIGOTSKI, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
Publicado
2018-09-05