Da maternidade (re)negada: mães solteiras e mulheres infanticidas no Ceará Oitocentista.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25053/redufor.v6i2.4115

Palavras-chave:

Mulheres, Maternidade, família, infanticídio.

Resumo

O artigo busca analisar as experiências de mães solteiras e mulheres infanticidas na segunda metade do século XIX, destacando as formas como foram representadas na imprensa cearense do período. As disputas em torno da formulação de padrões hegemônicos de família nos oitocentos revelaram a multiplicidade de sujeitos e formas de ordenamento familiar, evidenciando histórias de protagonismo feminino na condução de seus fogos e na (re)definição de valores e práticas acerca da maternidade. Nesse sentindo, tanto as formas de nomear, representar e punir os delitos contra a honra e o crime de infanticídio, quanto as maneiras como as mulheres expressaram outros valores e afetos acerca do casamento e dos filhos fazem parte do objeto de estudo aqui apresentado. Para tanto, esta pesquisa utilizou como fontes jornais, documentos oficiais, boletins policiais e textos literários.

 

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Biografia do Autor

Ana Cristina Pereira Lima, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte

Doutora em História Social pela Universidade Federal do Ceará (2019).  É professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte - IFR. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil, atuando principalmente nos seguintes temas: trabalho, educação, relações de gênero e infância.

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Publicado

2021-01-16

Como Citar

LIMA, A. C. P. Da maternidade (re)negada: mães solteiras e mulheres infanticidas no Ceará Oitocentista. Educação & Formação, [S. l.], v. 6, n. 2, p. e4115, 2021. DOI: 10.25053/redufor.v6i2.4115. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/redufor/article/view/4115. Acesso em: 12 maio. 2021.