Crianças e quilombos no sertão nordestino: uma análise sobre as infâncias que (re)existem
DOI:
https://doi.org/10.47149/pemo.v8.e15549Palabras clave:
Infância quilombola, Crianças, Racismo Estrutural, Alagoas.Resumen
O artigo apresenta e discute conceitos que enaltecem a pauta da infância negra e quilombola, do racismo estrutural e da decolonialidade. Ancorado nos estudos das infâncias e, com relevo para as produções científicas dos campos da Sociologia da Infância, Geografia da Infância e Antropologia da Criança, objetiva-se compreender como as crianças quilombolas do sertão alagoano produzem seus modos de vida e constroem suas infâncias em contextos atravessados pelo racismo e seus múltiplos desdobramentos. Com base no estado do conhecimento e dialogando com autores como Arroyo (2014, 2018), Dussel (2005), Quijano (2005), Akotirene (2019), Lopes (2006, 2008), Noguera e Alves (2019), propõe-se uma investigação que opere com discursos e denote a construção de um objeto capaz de evidenciar particularidades das culturas infantis quilombolas e sertanejas, expressas nos saberes e práticas compartilhadas entre seus pares e em outros encontros intergeracionais na(s) comunidade(s). Por fim, as aproximações que emergem da revisão apontam a necessidade de amplificar as pesquisas voltadas para esse grupo específico, fomentando um debate que considere e aprofunde as experiências de ser/viver as infâncias nos territórios quilombolas de Alagoas.
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