Análise Fanoniana do estatuto dos indígenas portugueses em Guiné, Angola e Moçambique (1954)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47149/pemo.v8.e15708

Palavras-chave:

Colonialismo português, Estatuto dos Indígenas, Africanidades, Direitos Humanos.

Resumo

O texto tem como objetivo analisar o Estatuto dos Indígenas Portugueses como expressão da racionalidade colonial portuguesa. Com base na teoria crítica de Fanon, investiga-se como o Estatuto institucionalizava a desigualdade racial e uma cidadania seletiva por meio de dispositivos jurídicos, simbólicos e afetivos. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, articulando análise documental, análise de conteúdo e método hermenêutico-crítico. Conclui-se que o Estatuto justificava a inferiorização da população negra, sob o discurso de integração e progresso. Operava como ferramenta de dominação racial, reproduzindo a lógica colonial. Ao regular o trabalho, a educação, a linguagem e a cidadania dos povos colonizados, o Estatuto não apenas consolidava a exclusão jurídica, mas também produzia efeitos de alienação, inferiorização e violência psíquica, moldando subjetividades e restringindo a liberdade. A leitura fanoniana revela, assim, que o colonialismo não se expressava apenas na materialidade da opressão, mas também no campo mais íntimo da identidade e do desejo.

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Biografia do Autor

Anfibio Zacarias Huo, Universidade Presbiteriana Mackenzie

Doutorando em Educação, Arte e História da Cultura na Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, Brasil; membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Pedagogia Social (GEPEEPS) e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Africanidades (GEPA).   

João Clemente de Souza Neto, Universidade Presbiteriana Mackenzie

Pós-doutorado em Sociologia Clínica e Professor no programa de Pós-graduação em Educação, Arte e História da Cultura na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Líder do Grupo de Pedagogia Social (USP) e líder do Grupo de Pedagogia Social da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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Publicado

01-01-2026

Como Citar

HUO, A. Z.; SOUZA NETO, J. C. de. Análise Fanoniana do estatuto dos indígenas portugueses em Guiné, Angola e Moçambique (1954). Práticas Educativas, Memórias e Oralidades - Rev. Pemo, [S. l.], v. 8, p. e15708, 2026. DOI: 10.47149/pemo.v8.e15708. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/revpemo/article/view/15708. Acesso em: 6 jan. 2026.

Edição

Seção

Dossiê: Culturas e diversidades na dinâmica das relações étnoco-raciais