Representações algorítmicas da deficiência
uma análise de imagens geradas por Inteligência Artificial
DOI :
https://doi.org/10.46230/lef.v17i3.16013Mots-clés :
inteligência artificial, deficiência, vieses algorítmicosRésumé
Este artigo investiga como sistemas de Inteligência Artificial Generativa (IAG) representam — ou omitem — pessoas com deficiência, buscando revelar como essas tecnologias reforçam padrões normativos e contribuem para a exclusão simbólica de corporalidades e vivências divergentes. A pesquisa está fundamentada nos estudos sobre viés algorítmico (Faustino; Lippold, 2023; Noble, 2018; Silva, 2022; Tevissen, 2024) e sobre justiça algorítmica aplicada à deficiência (Packin, 2021; Guimarães, 2024), com atenção especial aos efeitos das ausências e estereótipos nos sistemas de geração de imagens. A metodologia adotada é a Análise de Conteúdo, conforme Bardin (2011), estruturada em categorias baseadas no modelo biopsicossocial com definições adotadas pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). O corpus foi composto por textos e imagens geradas a partir de prompts nas ferramentas de IA ChatGPT e Gemini, com o objetivo de representar pessoas com deficiência. A análise revelou uma predominância de invisibilização e estigmatização, evidenciando a reprodução de imaginários capacitistas e a ausência de referências visuais inclusivas nos modelos de treinamento. Os resultados indicam que tais tecnologias refletem vieses sociais e os amplificam, exigindo uma revisão ética e técnica no desenvolvimento desses sistemas, com a inclusão ativa de pessoas com deficiência em todas as etapas do processo.
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