Currículo afrorreferenciado e o selo escola antirracista:

política, limites e disputas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33241/cadernosdogposshe.v9i1.16746

Palavras-chave:

Currículo Afrorreferenciado; Educação Antirracista; Epistemicídio; Selo Escola Antirracista.

Resumo

O artigo analisa o currículo afrorreferenciado como estratégia de enfrentamento ao racismo estrutural e ao epistemicídio na educação básica brasileira. A partir do estudo de caso da Escola Municipal Maria Felipa e da implementação do Selo Escola Antirracista no estado do Ceará, a pesquisa discute os limites e possibilidades da política pública voltada à promoção da justiça curricular. Com base em abordagem qualitativa e perspectiva decolonial, examinam-se os dispositivos simbólicos que sustentam a exclusão das epistemologias negras do espaço escolar. Argumenta-se que o currículo é um território de disputa, e sua afrorreferenciação exige a ruptura com paradigmas eurocentrados, reorganizando conteúdos, metodologias, práticas avaliativas e relações pedagógicas. O artigo aponta para a importância da formação docente crítica, do financiamento público e da articulação com movimentos sociais como elementos fundamentais à efetividade da política. Conclui-se que o Selo pode ser um catalisador de transformações estruturais rumo à equidade racial nas escolas.

Biografia do Autor

Lilian Maria da Silva Mello, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira

Graduada em Ciências Sociais – UECE, pesquisadora do GERE, mestranda do curso Interdisciplinar em Humanidades (UNILAB) e licencianda em pedagogia.

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Publicado

2025-12-08

Como Citar

MELLO, L. M. da S. Currículo afrorreferenciado e o selo escola antirracista: : política, limites e disputas. Cadernos do GPOSSHE On-line, [S. l.], v. 9, n. 1, p. 1–19, 2025. DOI: 10.33241/cadernosdogposshe.v9i1.16746. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/CadernosdoGPOSSHE/article/view/16746. Acesso em: 23 jan. 2026.

Edição

Seção

Artigos