A adequação das legendas automáticas do aplicativo CapCut em vídeos verticais para Legendagem para Surdos e Ensurdecidos
DOI :
https://doi.org/10.46230/lef.v17i3.16010Mots-clés :
surdosRésumé
Softwares de criação de legenda automática têm ganhado destaque com o aumento do consumo de vídeos verticais em plataformas digitais. Embora aplicativos como o CapCut ofereçam essa funcionalidade, viabilizada por sistema de Inteligência Artificial (IA), sua eficácia frente aos critérios da Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE) ainda é pouco investigada e abre um debate sobre o impacto dessa tecnologia na acessibilidade digital. Diferentemente de produções cinematográficas e televisivas, que contam com diretrizes como o Guia para Produções Audiovisuais Acessíveis (Naves et al., 2016), vídeos verticais ainda carecem de parâmetros específicos. Esta pesquisa preliminar, cujo objetivo foi investigar as legendas automáticas geradas pelo CapCut em vídeos verticais, analisando sua adequação aos parâmetros da LSE, baseados na Tradução Audiovisual Acessível (TAVa) e nos estudos de Vieira (2016), Monteiro (2016) Naves et al. (2016) e Assis (2021), analisou a qualidade das legendas automáticas geradas pelo CapCut em vídeos curtos do TikTok, do perfil “Ciência Divertida”. As legendas foram avaliadas quanto a possíveis falhas, incluindo erros de transcrição, segmentação inadequada e velocidade de legendagem. Os resultados confirmam limitações já apontadas na literatura (Selvatici, 2011; Karakanta et al., 2022; Hagström; Pedersen, 2022; Koglin et al., 2023), como dificuldades na transcrição de palavras homófonas, legendas mal segmentadas e tempo insuficiente de leitura, o que pode intensificar a exclusão digital da comunidade surda. Como proposta inicial, com base neste estudo preliminar, sugerimos manter o uso de até duas linhas por legenda, com um total de no máximo 23 caracteres, incluindo espaços e pontuação.
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