Pular e vigiar: normativas das masculinidades no brincar de uma “criança negra viada”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47149/pemo.v7.e15353

Palavras-chave:

Educação, Brincadeiras, Relato de experiência, Masculinidades

Resumo

Este artigo objetiva analisar os processos de subjetivação e produção corporal, com ênfase nas dinâmicas de gênero e sexualidade observadas nas brincadeiras de “pular elástico” e “pular corda” em uma escola pública de Porto Ferreira, interior de São Paulo, durante o Ensino Fundamental I, entre 2001 e 2005. O estudo é autobiográfico, no qual o autor realiza uma análise reflexiva de suas próprias memórias, visando compreender como a construção das masculinidades e a experiência do “ser criança negra viada” se manifestam na formação educativa. As experiências relatadas foram interpretadas considerando aspectos éticos relativos à confidencialidade e à análise crítica de vivências pessoais. Observa-se que tais influências extrapolam o ambiente escolar, abrangendo o recreio e o convívio familiar, nos quais emergem tensões vinculadas à religiosidade e às imposições de gênero e raça. Por fim, discute-se como determinados comportamentos são naturalizados como exclusivos a meninos ou meninas, refletindo normas sociais.

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Biografia do Autor

  • Silas Miquéias da Silva Boldo, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

    Mestrando em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com graduação em Ciências Sociais (UFMS) e Letras (habilitação em Português) pela Universidade Paulista (UNIP). Bolsista de demanda social do CNPq e membro do grupo de pesquisa Impróprias: Gênero, Sexualidade e Diferenças (UFMS/CNPq). Atualmente, é professor de Língua Portuguesa na rede estadual de ensino, com experiência no Ensino Fundamental II e Médio.

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Publicado

01-12-2025

Como Citar

Pular e vigiar: normativas das masculinidades no brincar de uma “criança negra viada”. Práticas Educativas, Memórias e Oralidades - Rev. Pemo, [S. l.], v. 7, p. e15353, 2025. DOI: 10.47149/pemo.v7.e15353. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/revpemo/article/view/15353. Acesso em: 19 abr. 2026.