Agência crítica em Linguística Aplicada
negociações a partir de sobrevivências e reexistências no contexto brasileiro
DOI :
https://doi.org/10.46230/lef.v16i4.15201Mots-clés :
estudos críticos, letramentos, sobrevivência, reexistênciaRésumé
O presente trabalho tem como propósito inicial fazer um apanhado histórico dos estudos críticos no âmbito da Linguística Aplicada, reconhecendo como o caráter transgressivo desses estudos influenciou e impactou as investigações sobre linguagens e sobre letramentos no contexto brasileiro. Em seguida, argumenta-se em favor da importância da etnografia como prática contextual indispensável para a construção de pesquisas que se pretendem críticas no campo já mencionado. Nesse cenário, investigações sobre sobrevivência e reexistência no contexto da Linguística Aplicada brasileira emergem como inspirações plausíveis relacionadas a um fazer acadêmico crítico de fato. Para sustentar essa afirmação, recorre-se a cenas de dois trabalhos relevantes do campo, empreitadas em que pesquisadores buscam construir relações horizontais e colaborativas com os participantes de suas pesquisas. As análises dessas cenas tornam evidentes a importância de um contato etnográfico longitudinal para que negociações entre os agentes de letramentos envolvidos viabilizem uma construção compartilhada de conhecimentos, capaz de democratizá-los e de torná-los acessíveis e relevantes também para os participantes das pesquisas, efetivos co-construtores de cada um desses trabalhos, e para as suas comunidades.
Téléchargements
Références
ALMEIDA FILHO, J. C. P. Fundamentos da Ciência Aplicada da Linguagem. São Paulo: Pontes Editora, 2020.
APPLE, M.; AU, W.; GANDIN, L. A. Educação crítica: análise internacional. Porto Alegre: Artmed, 2011.
BHABHA, H. K. O local da cultura. Tradução de Miriam Ávila et. al. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2013 (1994).
BITTAR, A. L. B. Sobreviver e sonhar: histórias e memórias de mulheres em situação de rua. Campinas: IEL/UNICAMP, 2020.
BLOMMAERT, J. Contexto é/como crítica. In: SIGNORINI, I. (Org.) Situar a linguagem. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
BORBA, R. Enregistering “gender ideology”. Journal of Language and Sexuality, v. 11. 2022, pp. 57-79.
BUSNARDO, J.; BRAGA, D. B. Language and power: on the necessity of rethinking English language pedagogy in Brazil. In: SAVINGNON, S.; BERNS, M. Initiatives in communicative language teaching, v. 2. Addison-Wesley Publishing Company, 1985, pp. 15-32.
BUZATO, M. E. K. Dadificação e transdisciplinaridade nos estudos do letramento: o jornalismo de dados como contexto de pesquisa. Revista da Anpoll, v. 1, n. 49. Porto Alegre: ANPOLL, 2019, pp. 128-141.
CAVALCANTI, M. C. A propósito de Linguística Aplicada. Trabalhos em Linguística Aplicada, v. 7. Campinas: IEL/UNICAMP, 1986, pp. 5-12.
CLIFFORD, J. Introdução: verdades parciais. In: ____________.; MARCUS, G. (Orgs.) A escrita da cultura – Poética e política da etnografia. Tradução de Maria Cláudia Coelho. Rio de Janeiro: Ed. UERJ; Papéis Selvagens Edições, 2016, pp. 31- 61.
DAVIES, A. An introdution to Applied Linguistics: from theory to practice. Edimburgh: Edimburgh University Press, 1999.
DE CERTEAU, M. A Invenção do Cotidiano – Artes de Fazer. 18a Ed. Tradução de Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis: Vozes, 2012 (1980).
FOUCAULT, M. A ordem do discurso. Tradução de Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Loyola, 2006 (1971).
FREIRE, P. Pedagogia da esperança. São Paulo: Paz e Terra, 1992.
_________. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1968.
GEERTZ, C. The Interpretation of Cultures. New York: Basic Books, 1973.
HADDAD, S. Paulo Freire, o educador proibido de educar. In: CÁSSIO, F. (Org) Educação contra a barbárie: por escolas democráticas e pela liberdade de ensinar. São Paulo: Boitempo, 2019.
JORDÃO, C. M. A Linguística Aplicada no Brasil: rumos e passagens. Campinas: Pontes Editores, 2016.
LOPES, A. C. Funk-se quem quiser – No batidão negro da cidade carioca. Rio de Janeiro: Bom Texto, FAPERJ, 2011.
MAHER, T. J. M. No mundo, sem escrita. Leitura: teoria e prática, v. 12. Campinas: ALB, FE/UNICAMP, 1988, pp. 42-46.
MAIA, J. O. A relação entre linguagem e inconsciente: do “sujeito equivocado” ao sujeito do equívoco. Língua, literatura e ensino, v. 4. Campinas: IEL/UNICAMP, 2009, pp. 1-6.
__________. Apropriação dos letramentos digitais para participação social mais ampla: um estudo de caso. Dissertação de mestrado. Campinas: IEL/UNICAMP, 2013.
__________. Fogos Digitais: letramentos de sobrevivência no Complexo do Alemão/RJ. Campinas: IEL/UNICAMP, 2017.
__________. Fogos Digitais: letramentos de sobrevivência e participação cidadã no Rio de Janeiro/RJ. In: SZUNDY, P. T. C.; TÍLIO, R.; MELO, G. C. V. (Org.) Inovações e desafios epistemológicos em Linguística Aplicada: perspectivas sul-americanas. Campinas: Pontes Editores, 2019, pp. 115-142.
__________. Transperipheral social media literacies: affects, ambiguities, transgressions. In: ESCARCENA, I. L.; BORBA, R. (Eds.) The Routledge Handbook of Language and Social Media. Londres: Taylor & Francis, 2025, no prelo.
__________.; SILVA, D. N. Afrontando a necropolítica no Brasil: recursos linguísticos arrojados e artivismo como formas de sobreviver. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, v. 23, n. 3. Belo Horizonte: Associação de Linguística Aplicada do Brasil, 2023, pp. 1-20.
MALAGUTI BATISTA, V. O Alemão é muito mais complexo. Revista Justiça e Sistema Criminal - Modernas tendências do sistema criminal, v. 3, n. 5. Curitiba: FAE Centro Universitário, 2011, pp. 103-125.
MATTOS, A. M. A.; VALÉRIO, K. M. Letramento crítico e ensino comunicativo: lacunas e interseções. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, v. 10, n. 1. Belo Horizonte: Associação de Linguística Aplicada do Brasil, 2010, pp. 135-158.
MENEZES DE SOUZA, L. M. T. Para uma redefinição de Letramento Crítico: conflito e produção de significação. In: MACIEL, R. F.; ARAUJO, V. A. (Orgs.) Formação de professores de línguas: ampliando perspectivas. Jundiaí: Paco editorial, 2011, pp. 128-140.
MOITA LOPES, L. P. (Org.) Linguística Aplicada na modernidade recente: festschrift para Antonieta Celani. São Paulo: Parábola Editorial, Cultura Inglesa, 2013.
MOITA LOPES, L. P. Oficina de Linguística Aplicada. Campinas: Mercado de Letras, 1994.
_________________. (Org.) Por uma linguística aplicada indisciplinar. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.
MONTE MOR, W. M. Crítica e letramentos críticos: reflexões preliminares. In: ROCHA, C. H.; MACIEL, R. F. (Org.) Língua estrangeira e formação cidadã: por entre discursos e práticas. Campinas: Pontes Editores, 2013, pp. 31-59.
NUNES, C. C. Reflexões sobre a abordagem comunicativa no ensino de línguas estrangeiras. Entretextos, v. 18, n. 1. Londrina: Universidade Estadual de Londrina, 2018, pp. 219-241.
PENNYCOOK, A. A Linguística Aplicada dos anos 90: em defesa de uma abordagem crítica. In: SIGNORINI, I; CAVALCANTI, M. C. Linguística Aplicada e transdisciplinaridade. Campinas: Mercado de Letras, 1998, pp. 23-49.
_______________. Uma Linguística Aplicada transgressiva. In: MOITA LOPES, L. P. (Org.) Por uma linguística aplicada indisciplinar. São Paulo: Parábola Editorial, 2006, pp. 67-84.
PONTES, L. P. S. Uma escola comunicativa de línguas: retratos de um fazer orientado por teoria. Brasília: Universidade de Brasília, 2019.
RAJAGOPALAN, K. Por uma Linguística crítica: linguagem, identidade e a questão ética. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.
RIBEIRO, A. E.; COSCARELLI, C. V. Linguística Aplicada: ensino de português. São Paulo: Editora Contexto, 2023.
SIGNORINI, I; CAVALCANTI, M. C. Linguística Aplicada e transdisciplinaridade. Campinas: Mercado de Letras, 1998.
SILVA, D. N. “A propósito de Linguística Aplicada” 30 anos depois: quatro truísmos correntes e quatro desafios. D.E.L.T.A., 31 (esp.). São Paulo: LAEL/PUC-SP, 2015, pp. 349-376.
SOUZA, A. L. S. Letramentos de reexistência: culturas e identidades no movimento hip-hop. Campinas: IEL/UNICAMP, 2009.
______________. Letramentos de reexistência: poesia, grafite, música, dança - hip-hop. São Paulo: Parábola Editorial, 2011.
VATTIMO, G. Nihilism and emancipation: ethics, politics and the law. New York: Columbia University Press, 2004.
WHITE, S. K. Sustaining affirmation: the strenghts of weak ontology in political theory. Princeton: Princeton University Press, 2000.
WHYTE, W. F. Sociedade de esquina. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005 (1993).
WIDDOWSON, H. G. Coming to terms with reality: Applied Linguistics in perspective. In: GRADDOL, D. (Org.) Applied Linguistics for the 21st. Century. AILA Review, 14, pp. 2-17.
Téléchargements
Publiée
Comment citer
Numéro
Rubrique
Licence
(c) Tous droits réservés Junot de Oliveira Maia 2025

Ce travail est disponible sous la licence Creative Commons Attribution 4.0 International .
Os autores que publicam na Linguagem em Foco concordam com os seguintes termos:
- Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação. Os artigos estão simultaneamente licenciados sob a Creative Commons Attribution License que permite a partilha do trabalho com reconhecimento da sua autoria e da publicação inicial nesta revista.
- Os conceitos emitidos em artigos assinados são de absoluta e exclusiva responsabilidade de seus autores. Para tanto, solicitamos uma Declaração de Direito Autoral, que deve ser submetido junto ao manuscrito como Documento Suplementar.
- Os autores têm autorização para disponibilizar a versão do texto publicada na Linguagem em Foco em repositórios institucionais ou outras plataformas de distribuição de trabalhos acadêmicos (ex. ResearchGate, Academia.edu).