Multiletramentos na Escola

Um Relato de Experiência à luz das reflexões de gênero e dos letramentos críticos

Palavras-chave: Multiletramentos, Letramentos Críticos, Gênero, Escola

Resumo

Este texto apresenta considerações sobre relações de gênero e identidade feminina a partir de reflexões acerca da abordagem da pedagogia dos multiletramentos e dos letramentos críticos no processo de ensino e aprendizagem de estudantes de uma escola pública do estado de Mato Grosso do Sul, Campo Grande-MS. As ações desenvolvidas tiveram como propósito substancial o trabalho com um conjunto variado de gêneros discursivos, como representação gráfica, desenho, videografia, ilustração, dentre outros, a fim de construir com os discentes práticas de linguagem e de letramentos mais inclusivos e  igualitários para o sujeito feminino. Com o intuito de efetivar esse objetivo, buscou-se suporte teórico na concepção de multiletramentos de Rojo (2009) (2012) e de multimodalidade de Ribeiro (2016), no que tange à utilização de múltiplas semioses textuais no ambiente educacional. Além disso, foram empregadas as proposições de Butler (2017) e Colling (2014) (2015), no que diz respeito à temática de gênero e identidade. Pretendeu-se contribuir com pautas que pudessem favorecer ressignificações discursivas e sociais historicamente construídas a respeito da categoria de mulher, bem como pôr em relevo a emergência das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC’s) na produção, reprodução e difusão de (hiper)textos no ensino, em especial, de língua portuguesa, conforme preconizam os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) (2000). Os resultados obtidos demostram que as composições dos estudantes podem oferecer dados capazes de contribuir para dirimir desigualdades e difundir textos verbovisuais de alta circulação social.

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Publicado
2020-09-21
Como Citar
DA SILVA, R.; NEVES, J. Multiletramentos na Escola. Revista Linguagem em Foco, v. 12, n. 2, p. 50-71, 21 set. 2020.