v. 22 n. 48 (2026): Tensões Mundiais - Edição Temática: Câmbio climático, Agroecologia e Soberania Alimentar no Sul Global

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A Revista Tensões Mundiais, em sua Edição Temática: Câmbio climático, Agroecologia e Soberania Alimentar no Sul Global articula dois objetivos centrais: primeiro, fomentar o debate acadêmico, social e político em relação aos processos contemporâneos de apropriação e expropriação dos territórios do Sul Global, provocados pela reconfiguração do capitalismo no século XXI e seus impactos no aprofundamento da crise climática e socioambiental; em segundo lugar, apresentar, sob a ótica das lutas empreendidas pelos Povos Indígenas e Movimentos Agrários, bem como de outros movimentos socioterritoriais, a crítica socioecológica e a proposição de processos concretos de enfrentamento da emergência climática e da defesa territorial, com destaque para a agroecologia.

 

 

Artista da Edição

Navegante Tremembé 

Navegante Tremembé é uma mulher indígena, nascida em 1960, em Itarema, litoral cearense. Vive na Aldeia Varjota, Terra Indígena Tremembé de Almofala. Há mais de 40 anos retrata a vida, o cotidiano, a beleza e a natureza, utilizando em suas pinturas o Toá, um pigmento natural. Suas diferentes cores decorrem de interações geológicas, sendo testemunhas da presença Tremembé em Almofala. A pintura de Navegante carrega os saberes ancestrais e a sua conexão com o território, com uma memória longa e com os encantados fazem da artista uma Guardiã do Povo Tremembé. Desde pequena aprendeu com os mais velhos que a "argila colorida soltava um melzinho muito bonito". Sua arte ilumina e traz alegria às casas, escolas, galerias e museus do Brasil e do Mundo. Concorreu, em 2025, ao Prêmio PIPA de arte contemporânea. Sonha que as futuras gerações continuem a pintar com o Toá para fortalecer a luta pela Terra e pelo Território Tremembé de Almofala, que desde 1996 está pendente de demarcação. Sem território demarcado, não há manguezal protegido, não há argila nem o Toá, nem as paisagens ancestrais do universo Tremembé, tão profundamente retratadas no trabalho dessa artista.

Navegante Tremembé is an Indigenous woman born in 1960 in Itarema, on the coast of Ceará. She lives in Aldeia Varjota, within the Tremembé Indigenous Territory of Almofala. For over 40 years, she has depicted life, daily routines, beauty, and nature, using Toá—a natural pigment— in her paintings. Her diverse colors stem from geological interactions, bearing witness to the Tremembé presence in Almofala. Navegante's paintings carry ancestral knowledge and her connection to the land; her deep memory and connection to the enchanted beings make the artist a Guardian of the Tremembé People. From a young age, she learned from her elders that "colored clay released a very beautiful honey-like substance." Her art illuminates and brings joy to homes, schools, galleries, and museums in Brazil and around the world. In 2025, she was nominated for the PIPA Award for contemporary art. She dreams that future generations will continue to paint with Toá to strengthen the struggle for the Land and the Tremembé Territory of Almofala, which has been awaiting demarcation since 1996. Without a demarcated territory, there is no protected mangrove, no clay, nor the Toá, nor the ancestral landscapes of the Tremembé universe, so deeply portrayed in this artist's work. 

Publicado: 10-04-2026

Editorial

  • EDITORIAL

    Lia Pinheiro Barbosa, Peter Michael Rosset, Luciana Nogueira Nóbrega
    07-24
    DOI: https://doi.org/10.33956/rdmshq90

Entrevista

  • “E foi como um estrondo do mar” a luta do povo Anacé a partir das mulheres indígenas

    27-44
    DOI: https://doi.org/10.33956/0ddbby63

Artigo

  • O território-corpo-terra-água e a ontologia política da vida

    Lia Pinheiro Barbosa
    47-97
    DOI: https://doi.org/10.33956/habmcj48
  • La lucha agroecológica en contexto de crisis civilizatoria

    Pablo Saravia Ramos
    99-122
    DOI: https://doi.org/10.33956/d1r5mt04
  • Governança ambiental e disputas territoriais críticas

    Kelly Maria Gomes Menezes, Maria Inês Escobar da Costa, Maria de Nazaré Moraes Soares
    123-146
    DOI: https://doi.org/10.33956/fb96s693
  • Agroecologia: resistir e superar o inaceitável

    DANIEL JEZIORNY, Marcos Abrahão Cardoso
    147-176
    DOI: https://doi.org/10.33956/3e0fqh25
  • Rebeldia camponesa no Brasil: reforma agrária e agroecologia

    Monica Dias Martins
    177-200
    DOI: https://doi.org/10.33956/90qvhg93
  • Ações coletivas de movimentos socioterritoriais agrários

    Ana Lúcia de Jesus Almeida, Maria Eduarda
    201-214
    DOI: https://doi.org/10.33956/awc0ja96
  • Conhecimento e formação na educação agrícola e na educação do campo

    Saulo Freire, Peter Rosset
    215-240
    DOI: https://doi.org/10.33956/5c2csz45
  • Resistência ao neoextrativismo na Serra do Gandarela

    Dayse Paixão e Vasconcelos
    241-261
    DOI: https://doi.org/10.33956/smqpg007
  • Geografia quilombola e produção de alimentos no Vale do Iguape

    Daiane Cristina Maltez dos Santos, Rozilda Vieira Oliveira, Jamille da Silva Lima-Payayá
    263-287
    DOI: https://doi.org/10.33956/17n0q941
  • Territorialidade quilombola contemporânea no Rio de Janeiro

    Pomy Yara Romancini Meirelles, Carlos Saldanha
    289-318
    DOI: https://doi.org/10.33956/j6345975
  • Saberes campesinos: La milpa en el cráter de Xico, México

    Julieta Martínez Cuero, Silvia Iveth Moreno Gaytán
    319-348
    DOI: https://doi.org/10.33956/5n1t4n92
  • Movimentos agrários e a luta pela transformação agroalimentar na África Austral

    Boaventura Monjane
    349-378
    DOI: https://doi.org/10.33956/ryqr5941
  • Exploração petrolífera e violência no Delta do Níger

    Sofonias Lopes Jó, Policarpo Gomes Caomique
    379-400
    DOI: https://doi.org/10.33956/7pa4h235

Resenhas

  • "A critique of the political economy of agribusiness"

    Brian Garvey
    403-408
    DOI: https://doi.org/10.33956/m1tk6g36
  • Tensões e transformações recentes da participação social no Brasil

    Geovane Gesteira Sales Torres, Lindijane de Souza Bento Almeida, Luiz Paulo Ribeiro
    409-415
    DOI: https://doi.org/10.33956/8a5xd498