Chamada para artigos – Dossiê: Democracia contemporânea

 O conceito de democracia, entre os mais pensados e obscuros da teoria política, assume, desde as últimas décadas, uma posição de destaque na agenda planetária, tanto no âmbito acadêmico quanto nos diversos foros e espaços da ação política. Assim, a questão da democracia, em seus múltiplos e urgentes desdobramentos, inscreve-se definitivamente no cenário político e social contemporâneo desde a chamada terceira onda de democratização, iniciada no Cone Sul da Europa nos anos de 1970, que chegou ao Cone Sul da América Latina nos períodos de 1980, expandindo mais tarde seus ideais para o continente africano nos anos de 1990. Nesse processo, consolida-se a confrontação de duas tradições teóricas: por um lado, as vertentes liberais e pluralistas e, por outro, a social democracia. A primeira tradição defende o método da democracia representativa individualista, conforme o receituário neoliberal do elitismo competitivo. Nessa acepção da democracia, coloca-se a centralidade dos partidos políticos e do Parlamento, entre outras esferas de competição pela liderança, como condição necessária para o sucesso do método democrático, encarado como uma engenharia essencialmente institucional que não se subordina a pré-condições que não se encontrem no quadro das regras de jogo do método democrático, estritamente atrelado ao poder político dos Estados nacionais. Já a segunda tradição se apóia no princípio de que a democracia é mais do que apenas um conjunto de garantias institucionais e seleção de líderes para o governo através de eleições periódicas no mercado do voto. Leva em consideração as complexas relações necessárias à inclusão de minorias e à valorização das diferenças, através da incorporação de novas formas de articulação de consenso. Centra sua abordagem nos movimentos sociais e na sociedade civil que vão além de formas institucionalizadas, ao mesmo tempo em que ressalta o caráter mais heterogêneo de relacionamento com instituições formalmente democráticas, mas na maioria dos casos intolerantes com a autonomia dos grupos sociais e políticos independentes do Estado e de partidos, como os grupos de mulheres, os grupos estudantis, as organizações dos movimentos intelectuais e os sindicatos dos trabalhadores. A pluralidade de abordagens e atores presentes no campo analítico transcende as formulações ditas clássicas de democracia, nas quais as demandas e os conflitos societais são reduzidos a um único centro, Estado e partidos políticos.

Frente à heterogeneidade das interpretações e de diferentes deslocamentos de sentidos teórico-práticos do conceito da democracia, este dossiê da Revista Tensões Mundiais visa contribuir com a compreensão dos diversos aspectos interligados no processo da democratização na contemporaneidade, em um contexto global da ordem econômica explicitamente injusta e desigual para com os pressupostos e ideais da própria democracia, tanto na vertente minimalista procedimental quanto na vertente coletiva da democracia social. Mas que significado adquire, nesse contexto de pluralidade de sentidos que têm subjacentes questões da representação e da participação, a democracia hoje? A qual democracia estamos nos referindo? Como fica o conceito de democracia em um contexto contemporâneo em que as garantias institucionais da regra do método democrático nem sempre são respeitadas? Como fica a prática democrática em um contexto global de uso excessivo da violência ilegítima, crime organizado, autoritarismo estatal, partidos políticos dominantes e desresponsabilização do Estado em satisfazer as demandas sociais da sociedade civil? O desafio é aprofundar o debate sobre as vicissitudes, potencialidades, parâmetros, atores e disputa de sentidos da democracia na atualidade.

Levando-se em conta esses pressupostos, esperam-se, para compor o dossiê, artigos que contribuam pertinentemente com a reflexão analítica sobre a democracia contemporânea, preferencialmente em sintonia com as seguintes linhas temáticas:

 

  1. Limites e potencialidades da democracia na sociedade técnico-comunicacional contemporânea
  2. Teoria democrática clássica e contemporânea
  3. Novas formas de autoritarismo competitivo
  4. O governo democrático frente à vida democrática
  5. A democracia no cenário internacional
  6. Guerra, guerra civil, violência (pós)eleitoral e democracia
  7. Refugiados e migrantes nos limiares da democracia contemporânea
  8. Democracia e movimentos sociais
  9. O capitalismo financeiro e o redimensionamento dos direitos nas democracias contemporâneas
  10. A retomada do discurso populista e a consolidação do despotismo democrático na atualidade

 

Envio dos artigos: até 03 de agosto de 2019

 

Artigos e resenha podem ser submetidos utilizando as diretrizes disponíveis em: https://revistas.uece.br/index.php/tensoesmundiais/about/submissions#authorGuidelines  

 

Editores:

Profa. Dra. Natalia Monzón Montebello (UECE)

natalia.montebello@uece.br

Prof. Dr. Ricardino Jacinto Dumas Teixeira (UNILAB)

ricardino@unilab.edu.br

 

Llamada para artículos – Dossier: Democracia contemporánea

El concepto de democracia, entre los más pensados y obscuros de la teoría política, asume, desde las últimas décadas, una posición de destaque en la agenda planetaria, tanto en el ámbito académico como en los diversos foros y espacios de la acción política. Así, la problemática de la democracia, en sus múltiples y urgentes desdoblamientos, se inscribe definitivamente en el escenario político y social contemporáneo desde la llamada tercera onda de democratización, iniciada no Cono Sur de Europa en los años de 1970, que llegó al Cono Sur de América Latina en los períodos de 1980, expandiéndose más tarde sus ideales al continente africano en los años de 1990. En ese proceso, se consolida el confronto de dos tradiciones teóricas: por un lado, las vertientes liberales y pluralistas y, por el otro, la social democracia. La primera tradición defiende el método de la democracia representativa individualista, conforme la receta neoliberal del elitismo competitivo. En esa acepción de la democracia, se plantea la centralidad de los partidos políticos y del Parlamento, entre otras esferas de competición por el liderazgo, como condición necesaria para el éxito del método democrático, encarado como una ingeniería esencialmente institucional que no se subordina a precondiciones que no se encuentren en el cuadro de las reglas del juego del método democrático, estrictamente anexado al poder político de los Estados nacionales. Ya la segunda tradición se apoya en el principio de que la democracia es más que apenas un conjunto de garantías institucionales y selección de líderes para el gobierno a través de elecciones periódicas en el mercado del voto. Lleva en consideración las complejas relaciones necesarias a la inclusión de minorías y a la valorización de las diferencias, a través de la incorporación de nuevas formas de articulación de consenso. Concentra su abordaje en los movimientos sociales y en la sociedad civil que van más allá de formas institucionalizadas, al mismo tiempo en que resalta el carácter más heterogéneo de relacionamiento con instituciones formalmente democráticas, pero en la mayoría de los casos intolerantes con la autonomía de los grupos sociales y políticos independientes del Estado y de partidos, como los grupos de mujeres, los grupos estudiantiles, las organizaciones de los movimientos intelectuales y los sindicatos de los trabajadores. La pluralidad de abordajes y actores presentes en el campo analítico transciende las formulaciones dichas clásicas de democracia, en las cuales las demandas y los conflictos sociales son reducidos a un único centro, Estado y partidos políticos.

Frente a la heterogeneidad de las interpretaciones y de diferentes desplazamientos de sentidos teórico-prácticos del concepto de democracia, este dossier de la Revista Tensões Mundiais busca contribuir con la comprensión de los diversos aspectos interconectados en el proceso de la democratización en la contemporaneidad, en un contexto global del orden económico explícitamente injusto y desigual con los principios e ideales de la propia democracia, tanto en la vertiente minimalista procedimental como en la vertiente colectiva de la democracia social. Pero ¿qué significado adquiere, en ese contexto de pluralidad de sentidos que tienen subyacentes cuestiones de la representación y de la participación, la práctica de la democracia hoy? ¿A cuál democracia nos estamos refiriendo? ¿Cómo se reconfigura el concepto de democracia en un contexto contemporáneo en que las garantías institucionales de las reglas del método democrático no siempre son respetadas? ¿Cómo se plantea la práctica democrática en un contexto global de uso excesivo de la violencia ilegítima, crimen organizado, autoritarismo estatal, partidos políticos dominantes y desresponsabilización del Estado en satisfacer las demandas sociales de la sociedad civil? El desafío es profundizar el conocimiento sobre el tema de la democracia, resaltando sus vicisitudes, potencialidades, parámetros, actores y disputas de sentidos sobre la democracia en la actualidad.

Considerándose esas reflexiones, se esperan, para componer el dosier, artículos que contribuyan pertinentemente con la reflexión analítica sobre la democracia contemporánea, preferencialmente en sintonía con las siguientes líneas temáticas:

 

  1. Límites y potencialidades de la democracia en la sociedad técnico-comunicacional contemporánea
  2. Teoría democrática clásica y contemporánea
  3. Nuevas formas de autoritarismo competitivo
  4. El gobierno democrático frente a la vida democrática
  5. La democracia en el escenario internacional
  6. Guerra, guerra civil, violencia (post)electoral y democracia
  7. Refugiados y migrantes en los bordes de la democracia contemporánea
  8. Democracia y movimientos sociales
  9. El capitalismo financiero y el redimensionamiento de los derechos en las democracias contemporáneas
  10. La retomada del discurso populista y la consolidación del despotismo democrático en la actualidad

 

Envío de los artículos: hasta 03 de agosto de 2019

Artículos y reseñas pueden enviarse utilizando las directrices disponibles en: https://revistas.uece.br/index.php/tensoesmundiais/about/submissions#authorGuidelines  

Editores:

Profa. Dra. Natalia Monzón Montebello (UECE)

natalia.montebello@uece.br

Prof. Dr. Ricardino Jacinto Dumas Teixeira (UNILAB)

ricardino@unilab.edu.br

 

 

Call for papers – Dossier: Contemporary democracy

 

            The concept of democracy, one of the most postulated-upon, obscure facets of political theory, has occupied since the last few decades a prominent position in the world’s agenda, both in the academic spectrum, and in the many forums and political action sites around the world. As such, the issue of democracy, in its multiple, urgent developments, is definitely engraved in the political landscape since the so-called third wave of democratization, which began in the South Cone of Europe in the 1970s, and arrived in the South Cone of Latin America in the 1980s, finally expanding its ideals to the African continent in the 1990s. In this process, there was the consolidation of two theoretical traditions: on one side, the liberal and pluralist strands, and on the other, the social democracy. The first tradition defends the methods of the individualist representative democracy, following the neoliberal prescription of competitive elitism. In this sense of democracy, the centrality of political parties and Parliament, among other spheres of competition over leadership, is taken as a necessary condition to the success of the democratic approach, seen as essentially instituonal engineering which does not subjugate itself to the preconditions that are not in the playbook of the democratic approach, strictly linked to the political power of national States. The second tradition, on the other hand, is based upon the principle that democracy is more than just an assembly of institutional guarantees and the selections of leaders for government through periodic elections in the vote market. It takes into account the complex relationships necessary to the inclusion of minorities and the appreciation of differences, through the incorporation of new forms of consensus articulation. It centers its approach in the social movements and the civil society that go beyond institutionalized forms, at the same time as it brings out the more heterogeneous character of relationships with formally democratic institutions, but which most of the time are intolerant of the autonomy of women’s groups, student groups, the organizations of intellectual movements and the workers’ unions. The plurality of approaches and actors present in the field transcend the oft-called classic formulations of democracy, in which the demands and the social conflicts are reduced to a single center, State, and political parties.

            In light of the heterogenereity of interpretations and of different shifts in theoretical-practical meanings of the concept of democracy, this dossier of Journal Tensões Mundiais aims to contribute to the understanding of the many different factors interconnected with the process of contemporary democratization, in a global context of the explicitly unjust and unequal economic order vis-à-vis the ideas of democracy itself, both in the procedural minimalist aspect, as well as the collective aspect of social democracy. But in this context of plurality of meanings which have underlying questions about participation and representation, what is the meaning acquired the practice of democracy today? To which democracy are we referring to? How is the concept of democracy left in a contemporary context, in which the institutional guarantees of the rule of the democratic method are not always respected? What becomes of the democratic practice in a global context of excessive use of illegitimate violence, organized crime, state authoritarianism, dominant political parties, and the de-responsabilization of the State in satisfying the demands of civil society? The challenge here is to deepen the knowledge about the theme of democracy, bringing to the surface its vicissitudes, potentialities, parameters, actors and the dispute of meanings about the democracy today.

            Taking into account these presuppositions, we hope for articles that contribute meaningfully to the analytical reflection about contemporary democracy, preferably in tune with the following thematic guidelines:

  1. Limits and potentialities of democracy in a contemporary technical-communicational society
  2. Classical and contemporary democratic theory
  3. New forms of competitive authoritarianism
  4. The democratic government vis-à-vis the democratic life
  5. Democracy on the international stage
  6. War, civil war, (post)electoral violence, and democracy
  7. Refugees and migrants in the thresholds of contemporary democracy
  8. Democracy and social movements
  9. Financial capitalism and the re-dimensioning of rights in contemporary democracies
  10. The return to populist discourse and the consolidation of democratic despotism in current days

 Article submission deadline: 3rd of August, 2019

 Articles and reviews ca be submitted using the guidelines available at: 

https://revistas.uece.br/index.php/tensoesmundiais/about/submissions#authorGuidelines  

 

Editors:

Prof. Natalia Monzón Montebello (UECE)

natalia.montebello@uece.br

Prof. Ricardino Jacinto Dumas Teixeira (UNILAB)

ricardino@unilab.edu.br