Tensões Mundiais, periódico acadêmico multidisciplinar, é lançado em 2005, na cidade de Fortaleza com o apoio do Banco do Nordeste, por se constituir em uma inovação de ideias no campo de estudos, pesquisa e extensão em Ciência Política e Relações Internacionais. O primeiro número traz uma entrevista com o destacado intelectual Benedict Anderson, um dos fundadores da revista, que ministrou conferência na 57ª Reunião Anual da SBPC (17 a 22 de julho de 2005). Esta edição, hoje esgotada, representa um marco na área de Ciência Política e Relações Internacionais – CP&RI, que começa a se consolidar naquele mesmo ano com a criação da Associação Brasileira de Relações Internacionais / ABRI.

Ao completar três anos de publicação regular, Tensões Mundiais adentra a fase de consolidação graças à contribuição recebida de autores de notório reconhecimento e à participação de novos talentos. O valor das matérias difundidas e a complexidade crescente das relações entre os Estados nacionais estimulam o prosseguimento desta iniciativa do Observatório das Nacionalidades / ON.

Fruto de grande esforço coletivo, em 2008, surge a primeira edição temática sobre a Integração sul-americana (v.4, n.7), sendo coeditora a socióloga, ensaísta e pesquisadora de literatura e cinema Ana Maria Roland. Tem início um rico processo de produções com assuntos escolhidos pelo comitê editorial em sintonia com a dinâmica de acontecimentos internacionais. A África é o próximo tema da revista (v.7, n.13) e sua coeditora, Teresa Cruz e Silva, historiadora e pesquisadora do Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África / CODESRIA. Seguem-se dois novos números que tratam de assuntos diversos, a saber:

  • Economia política dos desastres naturais (v. 8, n.15), organizada por uma equipe interdisciplinar de professores: Donna Houston, geógrafa (Macquarie University) e membro do Instituto de Geógrafos Australianos e da Associação de Geógrafos Americanos; Francisco Amaro Gomes, geógrafo (Universidade Federal do Ceará); Sandy Grande, pedadoga e diretora do Center for the Critical Study of Race and Ethnicity (Connecticut College); Taeli Gómez Francisco, filósofa (Universidade de Atacama).
  • Perspectivas críticas sobre os BRICS (v.10, n.18/19) comemora os nove anos de existencia da revista com uma edição especial dupla, preparada graças ao empenho de Ana Saggioro Garcia, cientista política e professora do departamento de História e Relações Internacionais (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) e Patrick Bond, geógrafo, professor (Universidade de KwalaZulu-Natal) e diretor do Centro para a Sociedade Civil.

No período de 2016 a 2019, Tensões Mundiais intensifica o lançamento de números temáticos, dedicados a questões candentes e tendências do cenário geopolítico global que integram a agenda internacional de pesquisa na área, sempre na perspectiva de promover o debate conceitual e difundir estudos teóricos e empíricos.

  • A defesa do Atlântico Sul (v.12, n.22) apresenta resultados de pesquisa financiada pelo CNPq sobre as iniciativas diplomáticas e das forças armadas por parte do Brasil e de seus vizinhos sul-atlânticos, para o desenvolvimento de políticas comuns de proteção às suas riquezas naturais, sendo coeditor Eli Alves Penha, do Instituto de Geografia (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e autor do livro Relações Brasil-África e geopolítica do Atlântico Sul (2011)
  • Cem Anos da Revolução Russa na América Latina (v.13, n.24) deve o sucesso alcançado pela revista, cuja versão impressa está esgotada, a uma dedicada equipe de coeditores: Camila Alves da Costa, mestre em estudos estratégicos (UFF) e pesquisadora do ON, Débora Carina D’Antonio, historiadora e pesquisadora do Instituto Interdisciplinar de Estudos de Gênero (Universidade de Buenos Aires), e Robert Austin , historiador e pesquisador do Department of Peace & Conflict Studies (University of Sydney).
  • Refugiados e Transformações Globais (v.14, n.27), dossiê fruto da seleção de textos apresentados durante o I Congresso Internacional de Direito, Economia, Educação e Geopolítica, organizado por dois pesquisadores do ON: Arnelle Rolim Peixoto, advogada, pós-doutoranda em Direitos Sociais (Universidade de Salamanca) e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/CE, e Luis Gustavo Guerreiro Moreira, sociólogo, indigenista especializado da FUNAI e doutorando em Políticas Públicas (Universidade Estadual do Ceará).
  • América Central: territórios, conflitos e resistências (v.16, n.28) é uma edição especial que tem como responsáveis professores vinculados ao Programa de Pós-Graduação e Sociologia / PPGS (UECE) e integrantes de grupos de pesquisa do Centro Latino-americano de Ciências Sociais / CLACSO: Ana Clarice Mendonça Oliveira, antropóloga e pesquisadora do GT El istmo, vinculado a CLACSO, Lia Pinheiro Barbosa, socióloga, professora do Mestrado Acadêmico Intercampi em Educação e Ensino (UECE) e vice coordenadora do PPGS, e Peter Michael Rosset, professor do El Colegio de la Frontera Sur, pesquisador visitante na UECE e coordenador da Rede de Pesquisa-Ação sobre a Terra. 

Tendo em vista divulgar a revista, os pesquisadores do ON a participam de encontros científicos, integram mesas-redondas, proferem conferências, apresentam comunicações em simpósios, estabelecendo sólidas colaborações com seus pares e intercâmbio de revistas em todo o mundo. Até o presente, pode-se citar os eventos da ISA (International Studies Association), ASEN (Association for the Study of Ethnicity and Nationalism), LASA (Latin American Studies Association), AHILA (Asociación de Historiadores Latinoamericanistas Europeos), IASPM (Associación Internacional para el Estúdio de la Música Popular Rama Latinoamericana), ALAS (Asociación Latinoamericana de Sociologia), ALACIP (Asociación Latinoamericana de Ciencia Politica) e CLACSO. No âmbito nacional, destacam-se os congressos da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), ANPOCS (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), ANPHU (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em História), ABED (Associação Brasileira de Estudos da Defesa), ABA (Associação Brasileira de Antropologia), ABRALIC (Associação Brasileira de Literatura Comparada), SBS (Sociedade Brasileira de Sociologia) e ABCP (Associação Brasileira de Ciência Política).

No mês de junho de 2012 Tensões Mundiais é reconhecida como obra literária e artística pelo IPHAN. Para celebrar este feito, ocorre o evento “Tensões Mundiais no Paço Imperial”, em 02 de agosto, com ampla presença de membros do Conselho Consultivo e de representantes do IPEA, que apoia a revista neste ano com o Projeto Auxílio à Publicação de Periódicos Brasileiros em Ciências Humanas.

Ao longo dos 15 anos de sua existência, o comitê editorial de Tensões Mundiais tem conseguido manter sua periodicidade semestral, qualidade fundamental em um periódico científico, apesar das dificuldades financeiras que provocam atrasos, problema que hoje está quase totalmente solucionado. Entre as qualidades positivas que justificam sua relevância destacam-se: estímulo ao intercâmbio abrangente e sistemático entre pesquisadores de todos os continentes, em especial latino-americanos e africanos; expressiva participação de autores estrangeiros de distintas instituições, áreas do conhecimento e predileções temáticas; mobilização de potencialidades intelectuais em importantes centros científicos brasileiros, com destaque para o incentivo à produção de jovens acadêmicos. Além do público acadêmico, a revista tem sido objeto da atenção de diplomatas e militares que colaboram com artigos, resenhas e pareceres.

Ao comitê editorial cabe a decisão final no tocante à publicação das contribuições submetidas no site da revista (https://revistas.uece.br/index.php/tensoesmundiais) nas línguas portuguesa, espanhola, inglesa e francesa, que atendam as normas editoriais, conforme o padrão dos periódicos de qualidade acadêmica internacional. Além de publicar trabalhos de autores consagrados, busca estimular jovens talentos. O processo de avaliação dos artigos ocorre mediante parecer de pelo menos três especialistas que desconhecem a autoria da matéria em apreço, sendo aprovados os que recebem a recomendação de pelo menos dois pareceristas.

Tensões Mundiais é filiada à Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC). Atentos a instrumentos que facilitem o seu acesso e consulta, bem como à agilidade dos processos eletrônicos e em rede, os editores introduzem o formato eletrônico, reproduzindo integralmente o seu conteúdo. Para tal, adotam o software livre Open Journal Systems (OJS) que atende à produção e gestão de publicação periódica eletrônica e atividades editoriais. Seu potencial de disseminação e universalização de acesso alcança os vários segmentos da área nas comunidades nacional e internacional. Seu conteúdo representa parte significativa da pesquisa brasileira em Ciência Política e Relações Internacionais.

A partir de 2020, a revista passa a publicar três edições anuais sendo duas temáticas, estando previstas as seguintes: Desafios à democracia contemporânea, Colonialismo e neocolonialismo na América Latina e África, A luta das mulheres e a nação, Sindicalismo e lutas sociais no Brasil e Política e Cultura na Ibero-América. Enfim, soma-se à sua relevância em termos de popularização da ciência, o fato de Tensões Mundiais ser uma publicação nordestina cujo principal resultado tem sido o reconhecimento, por parte da comunidade científica mundial, da capacidade brasileira de produzir conhecimentos de alto nível sobre as nações e as relações internacionais.