Chamada para artigos - Dossiê América Central

2018-12-09

A história política da América Central tem sido fortemente marcada por processos de violência das mais diversas ordens, interpelada por inspiradoras trajetórias de resistência, assim como pela conformação de alternativas de desenvolvimento que põem em questionamento não somente as relações de exploração econômica das sociedades capitalistas, como também suas estruturas socio-políticas de dominação e subordinação dos corpos, saberes e territórios.

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Mural do líder sandinista Augusto Cesar Sandino, com buracos de bala, na Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (UNAN), em Manágua, na Nicarágua, em 23 de julho de 2018. REUTERS / Oswaldo Rivas

Desde o Observatório das Nacionalidades, percebemos que até mesmo as mais cruas expressões de violência que marcaram a história socio-política e econômica dos povos centroamericanos têm permanecido relegadas ao esquecimento pela maioria dos(as) estudiosos(as) e instituições brasileiras.[1]

 No presente dossiê buscamos artigos fundamentados na teoria social e na história que abordem algumas das temáticas mais relevantes para a história recente da região, com especial destaque aos conflitos que se agudizam no cenário de avanço dos megaempreendimentos relacionados à produção de energia e outras obras de infraestrutura associadas ao avanço do extrativismo no continente. 

Os referidos conflitos desencadearam uma série de problemáticas de ordem político-social e econômica, tais como os desaparecimentos forçados, os despojos e expropriações de terras de povos tradicionais, as sistemáticas agressões e perseguições a lideranças comunitárias e defensores de Direitos Humanos, os feminicídios e os processos migratórios que caracterizam o cenário de crise institucional, socioeconômica e política, agravado pela atuação  violenta  de grupos paramilitares, do crime organizado, ou ainda, das polícias migratórias.

Nesse cenário emergem processos de resistência articulados por diferentes setores das sociedades centro-americanas, destacando-se os movimentos indígenas e camponeses, e o protagonismo de mulheres, entre outras organizações vinculadas a organismos de defensa dos direitos humanos, os quais denunciam permanentemente a existência de territórios e povos sistematicamente violentados por grandes corporações e grupos de interesse que atuam em âmbito nacional e internacional. Frente ao avanço do neoliberalismo e do extrativismo em larga escala a nível global, consideramos, portanto, que as trajetórias de luta e caminhos de resistência realizados nas mais diversas geografias da região centroamericana são de especial interesse para acadêmicos(as) e lideranças populares de toda a América Latina.  

Nesse sentido, com o objetivo de dar maior visibilidade às problemáticas, desafios e identidades socio-culturais que caracterizam a região centro-americana, este número especial da Revista Tensões Mundiais busca reunir um conjunto de reflexões que contribuam a uma maior aproximação de investigadores(as) brasileiros(as) às produções acadêmicas e literárias de centroamericanos(as) e centroamericanistas.

Serão benvindas contribuições que abordem as referidas temáticas a partir dos seguintes eixos:

  1. História política da América Central;
  2. Territórios e conflitos na América Central;
  3. Processos de resistência à megaempreendimentos;
  4. Deslocamentos forçados e processos migratórios;
  5. Mulheres e resistência nos contextos de conflito centro-americano;
  1. O Estado e os marcos jurídicos das políticas neoliberais;
  2. A geopolítica dos canais e a expansão do capitalismo global;
  3. Justicia ambiental;
  4. Territórios, ancestralidades e modos de vida frente aos conflitos;
  5. Criminalização e judicialização de conflitos sociais.

 

Artigos e resenhas podem ser submetidos utilizando as diretrizes disponíveis no http://www.tensoesmundiais.net/index.php/tm

Prazo: até 22/04/19

Publicação: 2019.1 (jan/jun)

Contatos:  

(Português): Ana Clarice Oliveira - clarice.oliveira@uece.br

(Espanhol): Lia Barbosa – lia.barbosa@uece.br

(Inglês): Peter Rosset – rosset@globalalternatives.org

 

[1] Até mesmo números tão sumamente expressivos como os de aproximadamente 40 mil desaparecidos e 150 mil assassinados ao longo dos 36 anos de ditatura, na Guatemala ou mesmo os processos revolucionários que levaram à queda da dinastia Somoza, na Nicarágua.