Chamada de trabalhos - Dossiê temático: Políticas nacionais e relações internacionais na África Austral

2022-07-28

 A revista Tensões Mundiais está a selecionar trabalhos que comporão o dossiê “Políticas nacionais e relações internacionais na África Austral”. As propostas devem ser submetidas até 10 de outubro de 2022 e irão compor a edição nº 40 da Tensões Mundiais, com expectativa de lançamento no segundo quadrimestre (maio/agosto) de 2023. O objetivo dessa edição é fomentar o debate acadêmico e/ou de movimentos sociais, com foco nos distintos fenômenos e processos políticos, econômicos, militares na África Austral, do último quartel do século XX aos dias de hoje.

A África Austral é a região geográfica mais ao Sul do continente, banhada pelos Oceanos Índico na sua costa oriental e Atlântico na sua costa ocidental, formada por mais de uma dezena de países: África do Sul, Angola, Botswana, Lesotho, Madagascar, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Eswatini, Zâmbia e Zimbabwe. Foi a última região de África a libertar-se da colonização europeia, no último quartel do século XX, tendo vivenciado guerras de libertação engendradas por movimentos nacionalistas que lutavam pela independência de seus territórios e povos. No período da Guerra-Fria, a Região representava uma área de influência geopolítica e econômica entre o mundo ocidental e o mundo socialista.

A África Austral experimentou distintos processos políticos, econômicos, militares, de integração e desintegração. Tais processos deixaram marcas nas identidades, povos, sociedades, nações, Estados, e influenciaram suas trajetórias nacionais e internacionais. O sistema do apartheid na África do Sul e a existência de regimes minoritários brancos na Rodésia do Sul e na Namíbia são marcas desse período, assim como as revoluções socialistas na Tanzânia,  Zâmbia,  Angola e Moçambique. Ficou evidente a “guerra por procuração” entre a hegemonia do apartheid sul-africano e suas ligações com o regime minoritário da Rodésia do Sul de um lado, e os regimes socialistas da Tanzânia, Zâmbia, Angola e Moçambique de outro.

A criação de alianças regionais como os Estados da Linha da Frente (ELF), a Southern African Development Coordination Conference (SADCC) e a Southern African Development Community (SADC), além de a Constellation of Southern African States (CONSAS) foram facetas dessa confrontação. Após a independência em 1975, Angola e Moçambique, por exemplo, se envolveram em guerras civis fratricidas, que contaram com “mão-externa” em apoio às revoluções nacionais e ações de contrarrevoluções de movimentos nacionalistas rebeldes, no contexto de disputa bipolar da Guerra-Fria.

No início da década de 1990 ocorreram mudanças sistêmicas mundiais e na África Austral, como o consenso de Washington, a crise do Bloco Socialista europeu, a queda do Muro de Berlim, o desmantelamento do sistema do apartheid, o abandono da via socialista de desenvolvimento pelos Estados da região, e acordos de paz para pôr fim às guerras-civis em Angola e Moçambique. Essas transições contribuíram para uma maior estabilidade interna dos Estados e integração político-econômica, e impuseram novas agendas nacionais e regionais.

Tomando em conta os distintos fenômenos e processos políticos, econômicos, militares, o dossiê Políticas nacionais e relações internacionais na África Austral, do último quartel do século XX aos dias de hoje, espera receber contribuições em forma de artigos, entrevistas, resenhas de livros e filmes que abordem os seguintes tópicos:

 

  1. Movimentos nacionalistas, processos de independência, revolução e contrarrevolução;
  2. Conflitos político-militares, disputas territoriais, guerras-civis e processos de paz;
  3. Movimentos sociais, partidos políticos, eleições, democratização e violência política;
  4. Sociedade civil, políticas públicas, afirmativas e de empoderamento;
  5. Estado, política externa e relações internacionais;
  6. Regionalismo e processos de integração econômica;
  7. Migrações, refugiados, exílios e diáspora;
  8. Terrorismo de Estado, de organizações políticas e grupos religiosos;
  9. Religião, língua, cultura e identidades;
  10. Mineração predatória, devastação de florestas, desastres ecológicos;
  11. Educação, ensino e centros de pesquisa.

 

Os trabalhos devem ser submetidos em português, inglês e/ou espanhol no sistema online da revista Tensões Mundiais (disponível abaixo) até 10 de outubro de 2022. Os arquivos submetidos para essa chamada devem ser identificados pelo código [#TMAFRAUS] em seu título, como também estarem de acordo com as diretrizes para autores (disponível abaixo).

 

Sistema online de Tensões Mundiais:

https://revistas.uece.br/index.php/tensoesmundiais

 

Diretrizes de Tensões Mundiais para autores:

https://revistas.uece.br/index.php/tensoesmundiais/about/submissions

 

Para contactar os coordenadores desta edição, escreva para:

 

Ercílio Neves Brandão Langa - ercilio.langa@gmail.com

Professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB-Campus dos Malês). Doutor em Sociologia e Mestre na mesma área pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Brasil.

Arcénio Francisco Cuco -  arcuco@yahoo.com.br

Professor na Universidade Rovuma - Moçambique. Doutor em Ciência Política pelo Programa de Pós-graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil.

 

Para contactar o comitê editorial de Tensões Mundiais, escreva para:

Beatriz Perote Fernandes - beatrizperote@gmail.com

Mestre em educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (PPGE/UECE).

Amanda Myrella Gomes - myrella.gomes@aluno.uece.br  

Graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará (UECE)

Alana Aline - obser.nacionalidades@uece.br  

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS/UECE).

Gestora editorial de Tensões Mundiais - Observatório das Nacionalidades. UECE.