Rádios livres populares - Félix Guatarri
GUATTARI, Félix. “Les radios libres populaires” in Nouvelles Revue Théorique. n. 115, jun./jul. 1978.
DOI:
https://doi.org/10.52521/kg.v23i1.17658Palabras clave:
Rádio pirata, agenciamentos coletivos, micropolíticasResumen
O presente texto de Félix Guattari, traduzido da língua francesa, não é apenas um manifesto político sobre o movimento das rádios piratas e livres da década de 1970, mas uma peça teórica fundamental para compreender a comunicação como um campo de forças em disputa. Sua importância reside na intersecção entre a prática midiática, a teoria política e a esquizoanálise da filosofia guattariana. Para a Comunicação Social, o texto antecipa discussões contemporâneas sobre a democratização dos meios. Guattari rompe com o modelo clássico de Shannon e Weaver (Emissor-Mensagem-Receptor), propondo que a rádio não deve ser um canal de transmissão unidirecional, mas um dispositivo de feedback constante. Nota-se uma apropriação da técnica quando o autor destaca a importância da "miniaturização" e da "gambiarra" (Bricolage) técnica como formas de resistência ao monopólio estatal e comercial. O autor critica a figura do "especialista" da comunicação (o jornalista ou locutor profissional), defendendo que a rádio livre deve ser um espaço de "tomada de palavra direta", em que a estética e o erro fazem parte da autenticidade do processo comunicativo. A rádio é tratada por Guattari como uma máquina de guerra contra a subjetividade capitalística dominante. A importância filosófica do texto reside no esclarecimento dos Agenciamentos Coletivos de Enunciação: Guattari argumenta que a rádio permite a criação de novas formas de existência coletiva que não passam pela representação política tradicional (delegados ou partidos). A fala na rádio livre "atravessa" as especialidades e permite o florescimento de "singularidades de desejo. Quando o texto exemplifica como a técnica (o rádio) pode ser usada para uma micropolítica da resistência, transformando o cotidiano (como nas praças de Bolonha) em um evento estético e político contínuo. Por fim, o autor questiona a necessidade de uma "boa linha" política, valorizando o "poético-delirante" e o contraditório como formas mais elevadas de produção de subjetividade do que o discurso racionalizado e burocrático. O texto permanece atual ao nos lembrar que a tecnologia (seja do rádio de 1970 ou mesmo da internet hoje) não é neutra. O embate entre sistemas hiperconcentrados (algoritmos de Big Techs) e sistemas miniaturizados/autogeridos (redes independentes) continua sendo o eixo central da disputa por uma comunicação que produza liberdade em vez de conformismo.
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Referencias
GUATTARI, Félix. “Los radios libres populares” in Nouvelles Revue Théorique. n. 115, jun./jul. 1978.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995. v. 1.
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