Educação cooperativa e governança neoliberal:
o programa a união faz a vida e a reconfiguração do trabalho docente nas parcerias público-privadas
DOI:
https://doi.org/10.33241/cadernosdogposshe.v10i1.16774Palabras clave:
Educação cooperativa, Nova Gestão Pública, Governança Neoliberal, Formação Docente, Parcerias Público-PrivadasResumen
Este artigo analisa criticamente a cartilha Formando Educadores, vinculada ao programa A União Faz a Vida, desenvolvido pelo Sicredi em parceria com redes públicas de ensino. A partir da sociologia crítica da educação e dos aportes teóricos de Ball, Laval, Apple, Robertson e Verger, o estudo evidencia como o programa se insere na racionalidade da Nova Gestão Pública (NGP) e na lógica da governança neoliberal, traduzindo o discurso da cooperação em instrumento de performatividade e controle docente. A análise demonstra que, sob o discurso humanizador da educação cooperativa, o programa opera como mecanismo de difusão das políticas globais de responsabilização e eficiência, alinhadas às agendas do Banco Mundial e da International Finance Corporation (IFC). O trabalho revela, assim, a hibridização entre pedagogia cooperativista e racionalidade de mercado, que redefine a função social da escola e a formação docente, deslocando-as do horizonte da emancipação para o da adaptação produtiva.
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