A resistência dos saberes afro-brasileiros e indígenas como fundamento de uma pedagogia anticolonial
DOI:
https://doi.org/10.33241/cadernosdogposshe.v10i1.17244Palavras-chave:
Pedagogia anticolonial, Saberes afro-brasileiros, Conhecimentos indígenasResumo
O presente artigo analisa a resistência dos saberes afro-brasileiros e indígenas como fundamento para a constituição de uma pedagogia anticolonial no contexto educacional brasileiro. Partindo do reconhecimento de que a escola moderna se estruturou a partir da matriz colonial, o estudo problematiza as formas de silenciamento epistêmico que historicamente marginalizaram racionalidades negras e indígenas no campo do conhecimento. A investigação mobilizou literatura de caráter crítico e de vertente decolonial, bem como marcos normativos que tratam da inserção das relações étnico-raciais no currículo, com destaque para as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. Os resultados demonstram que tais saberes constituem não apenas formas de resistência, mas matrizes civilizatórias produtoras de teoria, cultura e modos próprios de existência, capazes de sustentar projetos educativos comprometidos com a justiça cognitiva e com a democratização do currículo. Conclui-se que a pedagogia anticolonial não se realiza pela mera inclusão temática, mas pela reconfiguração dos critérios de validade epistêmica que organizam o sistema escolar. O artigo sugere a ampliação de pesquisas que examinem as implicações dessa perspectiva na formação docente e nas práticas curriculares de escolas públicas e comunitárias.
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