Reflexões sobre o Conceito de Verdade: articulação da ‘adequatio’ de Tomás de Aquino e o Saber absoluto de Hegel

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DOI:

https://doi.org/10.52521/2mjvrp89

Palavras-chave:

Verdade, Hegel, Tomás de Aquino, Adequatio, Saber absoluto

Resumo

O presente artigo tem como objetivo examinar sistematicamente a definição tomista de verdade como adaequatio rei et intellectus e o estatuto da verdade em Deus, confrontando‐a com a concepção hegeliana de verdade como processo que culmina no Saber absoluto; além disso, pretende testar a hipótese de uma articulação conceitual entre adaequatio e Saber absoluto; e indicar limites e desdobramentos dessa comparação. Entende-se que ao pôr em diálogo duas matrizes teóricas clássicas, o estudo ilumina a relação ser–pensar e requalifica o problema contemporâneo da inteligibilidade do real, evitando tanto um realismo estático quanto um construtivismo estrito; a importância do confronto está em lançar luzes sobre a tensão entre pensamento e realidade, finito e infinito. Para fazer isso, o referencial teórico utilizado teve como fontes primárias o De Veritate (q.1, a.1; a.7) e a Fenomenologia do Espírito (cap. final, §§798–808), com apoio da Enciclopédia para o tratar sobre Espírito absoluto, articuladas a comentadores. A partir dessas, o trabalho se divide em três partes: no primeiro momento se procura entender a verdade em Deus como adequação por identidade; no segundo momento procura-se entender o absoluto hegeliano como autoconhecimento do Espírito; no terceiro momento, faz-se uma comparação criteriosa orientada por um ponto de convergência teológico-metafísico (verdade em Deus/Espírito absoluto), avaliando compatibilidades e assimetrias. Em síntese, o trabalho sustenta uma proximidade qualificada entre adaequatio e Saber absoluto sem apagar divergências estruturais, propondo a unidade de ser e pensar ancorada no absoluto como chave interpretativa.

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Publicado

2026-05-02

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Reflexões sobre o Conceito de Verdade: articulação da ‘adequatio’ de Tomás de Aquino e o Saber absoluto de Hegel. Kalágatos , [S. l.], v. 23, n. 2, p. e26024, 2026. DOI: 10.52521/2mjvrp89. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/kalagatos/article/view/16484. Acesso em: 3 maio. 2026.

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