A amizade como resistência:

Spinoza e La Boétie diante das relações servis

Autores

  • Henrique Lima da Silva

DOI:

https://doi.org/10.52521/conatus.v17i28.16107

Palavras-chave:

Amizade. Servidão. Tirania. Ética. Política.

Resumo

O artigo analisa a noção de amizade em Étienne de La Boétie e Benedictus de Spinoza como alternativa ética e política às relações de servidão. Em La Boétie, a amizade é apresentada no Discurso da Servidão Voluntária como vínculo entre iguais que preservam a memória da liberdade, contrapondo-se às relações servis que sustentam o poder do tirano. A amizade, segundo ele, deve basear-se na reciprocidade e na virtude, e não em idolatria ou submissão, pois quando ultrapassa seus limites, contribui para a constituição da tirania. Spinoza, por sua vez, compreende a amizade como um afeto alegre que fortalece os homens por meio da razão e da utilidade comum. A amizade spinozana se funda na firmeza e na generosidade: a primeira, voltada à conservação racional de si; a segunda, ao auxílio mútuo e à união entre os semelhantes. O artigo propõe, assim, uma leitura comparada entre os dois autores, destacando como a amizade pode operar como uma forma de resistência ativa contra a dominação e um fundamento positivo da liberdade coletiva.

Biografia do Autor

Henrique Lima da Silva

Doutor em Filosofia (UFC), Membro do coletivo GT Spinoza.

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Arquivos adicionais

Publicado

04-01-2026

Como Citar

Silva, H. L. da. (2026). A amizade como resistência: : Spinoza e La Boétie diante das relações servis. Revista Conatus - Filosofia De Spinoza (ISSN 1981-7509), 17(28), 69–73. https://doi.org/10.52521/conatus.v17i28.16107

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