A amizade como resistência:
Spinoza e La Boétie diante das relações servis
DOI:
https://doi.org/10.52521/conatus.v17i28.16107Palabras clave:
Amizade. Servidão. Tirania. Ética. Política.Resumen
O artigo analisa a noção de amizade em Étienne de La Boétie e Benedictus de Spinoza como alternativa ética e política às relações de servidão. Em La Boétie, a amizade é apresentada no Discurso da Servidão Voluntária como vínculo entre iguais que preservam a memória da liberdade, contrapondo-se às relações servis que sustentam o poder do tirano. A amizade, segundo ele, deve basear-se na reciprocidade e na virtude, e não em idolatria ou submissão, pois quando ultrapassa seus limites, contribui para a constituição da tirania. Spinoza, por sua vez, compreende a amizade como um afeto alegre que fortalece os homens por meio da razão e da utilidade comum. A amizade spinozana se funda na firmeza e na generosidade: a primeira, voltada à conservação racional de si; a segunda, ao auxílio mútuo e à união entre os semelhantes. O artigo propõe, assim, uma leitura comparada entre os dois autores, destacando como a amizade pode operar como uma forma de resistência ativa contra a dominação e um fundamento positivo da liberdade coletiva.
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