“Dito” e “não dito”

a imagem feminina nos livros didáticos de história

Autori

  • Mauricio Santana Universidade Estadual de Santa Cruz

DOI:

https://doi.org/10.52521/bilros.v13i27.16665

Parole chiave:

Livro didático de história, Mulheres negras, Relações raciais, Cultura material.

Abstract

Este artigo tem como objetivo analisar, por meio de uma pesquisa documental, os livros didáticos de História (História de um povo, de Azevedo & Darós), comparando-os com a coleção (Expedições da História, da Editora Moderna, autores Gilberto Cotrim e Jaime Rodrigues), ambos do 8º ano (antiga 7ª série) do Ensino Fundamental. O recorte temporal é o Brasil Império, buscando compreender como é abordada a presença das mulheres nesse contexto histórico, bem como a influência da colonialidade e da lógica eurocêntrica como condicionantes da existência das personagens femininas históricas nestes livros. Para o desenvolvimento deste artigo, foi realizado um levantamento bibliográfico nas principais revistas de História da Educação, com aporte teórico de Chartier (2005), Dominique Julia (2001), Chopin (2004), entre outros. As análises apontam para a necessidade de se incorporar a presença de mulheres negras, quilombolas e indígenas, que protagonizaram a história na luta contra a escravização, nos livros didáticos.

Biografia autore

Mauricio Santana, Universidade Estadual de Santa Cruz

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação da universidade Estadual de Santa Cruz. Mestre em Educação. Atua como professor da rede estadual de ensino da Bahia, com o componente curricular de História.

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Pubblicato

2026-02-21

Come citare

SANTANA, M. “Dito” e “não dito”: a imagem feminina nos livros didáticos de história. Revista de História Bilros: História(s), Sociedade(s) e Cultura(s), [S. l.], v. 13, n. 27, 2026. DOI: 10.52521/bilros.v13i27.16665. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/bilros/article/view/16665. Acesso em: 10 mar. 2026.

Fascicolo

Sezione

ARTIGOS