Revista de História Bilros: História(s), Sociedade(s) e Cultura(s) https://revistas.uece.br/index.php/bilros <p>A <strong><em>Revista Bilros: História(s), Sociedade(s) e Cultura(s)</em></strong> é a Revista Eletrônica integrada ao Laboratório de Estudos e Pesquisas em História e Culturas - DÍCTIS e associada ao Curso de graduação em História (C.H.); Programa de Pós-Graduação em História, Culturas e Espacialidades (PPGHCE-UECE) e ao Grupo de Trabalho de História Cultural da Associação Nacional de História Secção do Ceará (GTHC/ANPUH-Ce), sendo composta por integrantes dos DÍCTIS, do GTHC da ANPUH-Ce e discentes da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual do Ceará – UECE. Trata-se de um periódico científico semestral que tem como objetivo contribuir e divulgar a produção historiográfica e de áreas afins realizadas por historiadores, pesquisadores, professores, especialistas, mestres, doutores, pós-graduandos e graduandos.</p> <p>Em meio à tessitura do fazer historiográfico, os saberes e as práticas se misturam e se confundem na narração histórica em um processo científico. Aqui compreendido como uma metáfora à renda de Bilros, esse processo constitui-se na medida em que os fios manejados pelas rendeiras, em consonância com o trato dos historiadores com suas fontes, tecem e constroem as histórias de homens, de grupos, de sociedades e de culturas no tempo histórico.</p> <p>Com a demanda da divulgação de conhecimento, da carência de interlocutores e debates e da valorização do ofício do historiador, a Revista Bilros emerge em um contexto em que os recursos digitais afloram na produção do saber científico. Nesse sentido, portanto, através deste periódico, abre-se mais um caminho a ser explorado por graduandos, graduados e pós-graduados da área das ciências humanas.</p> <p><strong>ISSN: 2357-8556</strong></p> EDUECE / DÍCTIS pt-BR Revista de História Bilros: História(s), Sociedade(s) e Cultura(s) 2357-8556 A OFICIALIZAÇÃO DO FESTEJAR: https://revistas.uece.br/index.php/bilros/article/view/8192 <p>O objetivo do presente artigo é empreender uma análise dos processos de regulação e normatização do campo festivo junino no Ceará, tendo como objeto de investigação a política de editais de apoio aos festejos no estado. Partimos da premissa de que a referida política foi determinante para alterar substantivamente o modo como os festejos juninos passaram a ser celebrados, afetando as práticas, os agentes e o campo festivo. Para tanto, são analisados os editais municipais e estaduais publicados no início dos anos 2000, período em que, de fato, é possível identificar a lógica dos editais de apoio como uma política pública cultural, organizada de modo periódico e sistemático. Os resultados evidenciaram a figura do Estado como um forte agente nas transformações e nos novos contornos que a festa junina passa a ter nos últimos vinte anos, sobretudo no apelo à sua retradicionalização e reatualização. Para além dos aspectos contratuais evidentes através da política de editais, os elementos não contratuais trazidos pela mediação do poder público também operam condicionamentos na festa. A presença do Estado, contudo, não se dá sem conflitos com os demais agentes que também estruturam o campo, constituindo um jogo permanente de disputas e conflitos por posições e poder.</p> Hayeska Costa Barroso Copyright (c) 2022 Hayeska Costa Barroso https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-05-03 2022-05-03 9 19 18 42 “PAI NÃO AJUDA, PAI CUIDA” https://revistas.uece.br/index.php/bilros/article/view/8194 <p>Por volta de 2015 o termo paternidade ativa passou a ter visibilidade nas redes sociais. Esse termo vem sendo utilizado como um elemento de distinção entre a paternidade tradicional que apresenta o pai como pai-provedor e uma “nova” forma de ser pai contemporânea que participa ativamente na economia do cuidado com os filhos e o lar e se propõe a dar uma educação embasada no respeito e empatia pela criança, esta entendida como um sujeito de direitos. Neste trabalho, buscamos demonstrar um dos elementos que caracteriza a paternidade ativa. Para isso acompanhamos as redes sociais de pais e influenciadores no Instagram no período de 2018-2021, o estudo foi realizado com uma abordagem qualitativa, ancorado no método da etnografia com a utilização das técnicas de observação participante, anotações em diário de campo e entrevistas. Como resultado desse estudo caracterizamos e conceituamos sociologicamente a paternidade ativa.</p> Tuany Abreu de Moura Francisco José Gomes Damasceno Copyright (c) 2022 Tuany Abreu de Moura, Francisco José Gomes Damasceno https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-05-03 2022-05-03 9 19 43 62 CONTRIBUIÇÕES TEÓRICAS DO PENSAMENTO PÓS-COLONIAL E DO GIRO DECOLONIAL PARA UMA ANÁLISE DO FENÔMENO DA BELLE ÉPOQUE NA MÚSICA, FESTAS E CELEBRAÇÕES EM FORTALEZA https://revistas.uece.br/index.php/bilros/article/view/8195 <p>Este artigo tem como objetivo debater o fenômeno da Belle Époque em Fortaleza na perspectiva da música, festas e celebrações. Compreendo, antes de mais nada, a Belle Époque como um discurso que opera dentro da lógica da colonialidade, impondo um padrão de dominação desenvolvido pela modernidade que, por sua vez, incide na realidade dos corpos colocados em dissidência em relação às estruturas de poder. Nesse sentido, reflito sobre essas questões com base na leitura de autores do pensamento Pós-Colonial e do Giro Decolonial. Acredito que esse tipo de análise funciona como uma provocação que tenciona e enriquece a nossa agenda de problemas da Teoria da História.</p> Ana Luiza Rios Martins Copyright (c) 2022 Ana Luiza Rios Martins https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-05-03 2022-05-03 9 19 63 77 O COLÉGIO JESUÍTA ENTRE A COMPOSIÇÃO DE IDEIAS E SONS NA BAHIA COLONIAL https://revistas.uece.br/index.php/bilros/article/view/8198 <p>Neste trabalho, buscamos apontar a função sociocultural do Colégio Jesuíta da Bahia no Brasil Colonial, especialmente no que se refere à formação intelectual e catequese indígena. Por ser uma instituição de ensino que também atendia o público leigo, ou seja, cristãos e convertidos que não pertenciam às camadas eclesiásticas da igreja católica, o colégio da Bahia participava ativamente da vida política da então capital da colônia. Dessa forma, nos baseamos principalmente na proposta de Gouvêa, Frazão e Santos (2004) acerca das redes de poder e conhecimento, bem como a formação de círculos letrados idealizada por Souza (2015). Além deste referencial bibliográfico, usaremos também a análise de fontes primárias escritas por padres que estiveram no colégio, como Fernão Cardim e Cristóvão Valente. Com isso, esperamos demonstrar a fundamental importância do Colégio da Bahia neste recorte específico, como um importante polo na estrutura da colônia portuguesa nas américas.</p> Diego Luiz Ribeiro de Almeida Karina Moreira Ribeiro da Silva e Melo Copyright (c) 2022 Diego Luiz Ribeiro de Almeida, Karina Moreira Ribeiro da Silva e Melo https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-05-03 2022-05-03 9 19 78 96 O MANGÁ CONTEMPORÂNEO https://revistas.uece.br/index.php/bilros/article/view/8199 <p>O seguinte trabalho, através de uma revisão bibliográfica, busca analisar o mangá como produto não somente artístico, mas também como subproduto de discursos postos em uma sociedade que sofrera grandes modificações em um pequeno período de tempo. Para tal, uma investigação tanto do mangá quanto objeto multifacetado quanto de um Japão hibridizado se fazem primordiais. Não menos importante, é notar que o mangá é subproduto de memórias de indivíduos postos em determinado contexto histórico e, portanto, passíveis de subjetividade e historicidade. Assim sendo, buscou-se relacionar o mangá com seu contexto sócio-histórico e sua potência narrativa, assim como as constantes relações e hibridizações entre essas potências narrativas e as transformações sofridas pelo mangá ao longo da contemporaneidade.</p> Antonio Augusto Zanoni Copyright (c) 2022 Antonio Augusto Zanoni https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-05-03 2022-05-03 9 19 97 120 OS “INCORRIGÍVEIS” https://revistas.uece.br/index.php/bilros/article/view/8200 <p>Este artigo tem por objetivo destacar a existência de duas pessoas pobres, entre tantas outras, na Campinas no início do século XX a partir de seus “encontros” com as instâncias de poder e dos registros jurídicos produzidos sobre elas. Nossa narrativa se inspira em “A vida dos homens infames” de Foucault, assim, dos autos emergem "Evinha Linguiça" e "Pé Espalhado", codinomes pejorativos como os de muitos dos recolhidos ao xadrez pelos policiais em suas batidas pelos botequins, ruas e becos da cidade. Da análise dos documentos criminais, da legislação penal, além da legislação municipal, divisamos aspectos da vida ou do cotidiano de pessoas que, para as autoridades, "necessitavam de correção" porque seriam perniciosas à ordem político-econômica, especialmente aquelas nomeadas de "incorrigíveis" nos processos criminais, caso das personagens abordadas. "Constrangê-los" ao trabalho ou tirá-los de circulação eram medidas que visavam promover uma higiene social. Algo tido como salutar para uma cidade que conviveu com epidemias de febre amarela e medidas sanitárias naquele período.</p> Valter Martins Hélio Sochodolak Copyright (c) 2022 Valter Martins, Hélio Sochodolak https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-05-03 2022-05-03 9 19 121 142 ENTRE TÁTICA E ESTRATÉGIA https://revistas.uece.br/index.php/bilros/article/view/8201 <p>Trabalhando com os conceitos de “tática” e “estratégia” trazidos pelo historiador francês Michel de Certeau, a presente pesquisa objetiva propor uma reflexão a respeito da produção cultural na cidade de Sobral durante a Ditadura-Civil-Militar, vista como palco de diversas formas de protesto ao regime autoritário, embora o poder político local sempre se mostrasse favorável a ditadura. Buscaremos analisar, desse modo, como a produção da arte, através da música, mostrou-se uma forma de resistência ao regime vigente, exemplificando através da problematização do festival mandacaru de Sobral, como uma tática em meio a um contexto que trazia uma situação de dominação autoritária, enquadrando-a dentro do conceito de estratégia.</p> José Brendo Cruz Vasconcelos Copyright (c) 2022 José Brendo Cruz Vasconcelos https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-05-03 2022-05-03 9 19 143 159 RESISTÊNCIA CIVIL E JOGOS DE GÊNERO. FRANÇA-ALEMANHA-BOLÍVIA-ARGENTINA. (SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - ANOS 1970-1980) https://revistas.uece.br/index.php/bilros/article/view/8203 <p>A partir de um estudo comparativo de quatro movimentos de resistência civil envolvendo mulheres, na Europa Ocidental, durante a Segunda Guerra Mundial e no Cone Sul durante as terroristas ditaduras militares das décadas de 1970 e 1980, o autor mostra como essas formas de disputa participam dos jogos de gênero. Aponta como foi fundamental o contexto histórico para a compreensão do desenvolvimento desses movimentos de protesto e observa que os indivíduos e organizações, que os impulsionaram e eventualmente os estruturaram, mobilizaram e representaram mitológicas sobre as mulheres, permitindo-lhes intervir e atuar no público espaço, porque estavam em sintonia com os valores defendidos pelas ditaduras. Dependendo das condições culturais, a participação nesses movimentos de protesto influenciou no questionamento das identidades de gênero pelas participantes.</p> <p><strong>RÉSUMÉ </strong></p> <p>À partir de l’étude comparative de quatre mouvements de résistance civile impliquant des femmes, en Europe occidentale pendant la Seconde Guerre mondiale et dans le Cône sud sous les dictatures militaires terro ristes des années 1970-1980, l’auteur montre en quoi ces formes de contestations participent des jeux de genre. Tout en constatant combien le contexte historique est fondamental pour comprendre le développement de ces mouvements protestataires, on observe que les individus et les organisations, qui les impulsèrent et éventuellement les structurèrent, mobilisèrent et mirent en représentation des mythologies de la femme leur permettant d’intervenir et d’agir sur un espace public fermé à toute contestation, car elles étaient en phase avec les valeurs défendues par les dictatures. Nonobstant, selon la conjoncture culturelle, la participation à ces mouvements protestataires a influé sur l’évolution de l’identité de sexe des participantes.</p> <p><strong>Mots clés: </strong>jeux de genre; Amérique latine, dictatures, femmes, Seconde Guerre mondiale.</p> <p><strong>ABSTRACT</strong></p> <p>In this comparative study of four movements of civil resistance involving women in Western Europe during World War II and in the cone of South America during the military dictatorship of the 1970’s, the author shows how this form of contestation partake of the dynamics of gender. While realizing how much the his torical context is essential to understand the development of these movments of resistance, we observe that the individuals and the oraganizations which boosted them and eventually gave them a structure, mobilized and used mythological images of the woman, allowing them to take action in a public sphere closed to any kind of opposition, because these images corresponded with the values pro moted by various repressive regimes. Anyway, according to the cultural situation, the fact of joining in these movements of resistance also had an influence on the evolution of the gender identities of women activists.</p> <p><strong>KEY WORDS:</strong> genre games; Latin America, Dictatorships, Women, World War II.</p> Luc Capdevila Sofia Rocco Stainsack Rocha Joana Maria Pedro Copyright (c) 2022 Luc Capdevila; Sofia Rocco Stainsack Rocha, Joana Maria Pedro https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2022-05-03 2022-05-03 9 19 160 191