A travessia inacabada:
narrativas e contradições da leitura linear da evolução do Estado moderno
DOI:
https://doi.org/10.32335/2238-0426.2026.16.35.15741Parole chiave:
Estado moderno, modelos de Estado, Estado constitucional, permanência, disputas normativasAbstract
O presente artigo analisa criticamente a narrativa predominante na doutrina jurídica sobre a evolução dos modelos de Estado. Com base no método histórico-dedutivo e em revisão bibliográfica de autores clássicos e contemporâneos, sustenta-se que a sucessão do Estado absolutista ao Estado democrático de direito não representa um processo linear de superações, mas sim uma trajetória marcada por sobreposições, ambivalências e permanências. A leitura que identifica um avanço contínuo entre os modelos – do liberal ao social, culminando no constitucional – tende a ocultar conflitos estruturais que seguem latentes nas democracias contemporâneas. A hipótese defendida é a de que o modelo constitucional vigente constitui uma arena de disputa entre fundamentos inconciliáveis, como liberdade e igualdade, eficiência e solidariedade. Ao invés de ruptura, observa-se a reconfiguração dinâmica de paradigmas que permanecem em tensão, revelando a incompletude do projeto estatal democrático e a centralidade do Estado como mediador de contradições estruturais da sociedade.
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