Movimentos sociais e educação como ferramenta de empoderamento de mulheres negras perspectivas para o desenvolvimento sustentável
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Resumo
Este artigo analisa o papel dos movimentos sociais de mulheres negras em Portugal, compreendendo-os como espaços educativos não formais que contribuem para o empoderamento individual e coletivo. Partindo do problema da invisibilidade académica e política dessas práticas, buscou-se compreender de que modo iniciativas como a FEMAFRO, o INMUNE e a ONG Pé de mobilizam metodologias centradas no acolhimento, no autoconhecimento e na valorização identitária. Os resultados evidenciam que tais movimentos produzem impactos significativos, fortalecendo a autoestima, a consciência crítica e a participação social das mulheres negras, ao mesmo tempo em que constroem redes de solidariedade e ação comunitária. Contudo, permanecem desafios relacionados ao reconhecimento institucional, ao apoio financeiro e à sistematização académica dessas práticas. Conclui-se que uma educação de qualidade, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, deve integrar essas experiências interseccionais como parte essencial da transformação social.
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