A OFICIALIZAÇÃO DO FESTEJAR:

REGULAÇÃO E NORMATIZAÇÃO DO CAMPO FESTIVO JUNINO NO CEARÁ

Autores

  • Hayeska Costa Barroso UNB

Palavras-chave:

Festas Juninas, Política de Editais, Política Cultural

Resumo

O objetivo do presente artigo é empreender uma análise dos processos de regulação e normatização do campo festivo junino no Ceará, tendo como objeto de investigação a política de editais de apoio aos festejos no estado. Partimos da premissa de que a referida política foi determinante para alterar substantivamente o modo como os festejos juninos passaram a ser celebrados, afetando as práticas, os agentes e o campo festivo. Para tanto, são analisados os editais municipais e estaduais publicados no início dos anos 2000, período em que, de fato, é possível identificar a lógica dos editais de apoio como uma política pública cultural, organizada de modo periódico e sistemático. Os resultados evidenciaram a figura do Estado como um forte agente nas transformações e nos novos contornos que a festa junina passa a ter nos últimos vinte anos, sobretudo no apelo à sua retradicionalização e reatualização. Para além dos aspectos contratuais evidentes através da política de editais, os elementos não contratuais trazidos pela mediação do poder público também operam condicionamentos na festa. A presença do Estado, contudo, não se dá sem conflitos com os demais agentes que também estruturam o campo, constituindo um jogo permanente de disputas e conflitos por posições e poder.

Biografia do Autor

Hayeska Costa Barroso, UNB

Doutora em Sociologia (UFC). Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Assistente Social (UECE). Professora Adjunta do Departamento de Serviço Social e do Programa de Pós-Graduação em Política Social da Universidade de Brasília (UnB).

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Publicado

2022-05-03

Como Citar

COSTA BARROSO, H. . A OFICIALIZAÇÃO DO FESTEJAR:: REGULAÇÃO E NORMATIZAÇÃO DO CAMPO FESTIVO JUNINO NO CEARÁ. Revista de História Bilros: História(s), Sociedade(s) e Cultura(s), [S. l.], v. 9, n. 19, p. 18–42, 2022. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/bilros/article/view/8192. Acesso em: 16 maio. 2022.

Edição

Seção

ARTIGOS