Perpetradoras de “crimes mais bárbaros”

Aprisionamento feminino, maternidade no cárcere e Marco da Primeira Infância

Autores

DOI:

https://doi.org/10.52521/opp.v23n2.17390

Palavras-chave:

Encarceramento feminino, Marco Nacional da Primeira Infância, Sistema prisional, Maternidade no cárcere

Resumo

Com base em dados levantados por um projeto do PNUD/CNJ, desenvolvido em 2020, o trabalho analisa perspectivas de distintos atores de estados do Norte e Nordeste do país sobre criminalidade feminina e os fluxos de tratamento concedido às mulheres e seus filhos. Sobretudo, debate os fundamentos de aplicação do Marco da Primeira Infância no cenário penal. No geral, a relação materno-infantil no cárcere é mobilizada como mecanismo de punição, havendo no sistema de justiça criminal certa propensão em usar o Marco da Primeira Infância para reforçar o aprisionamento feminino.

Biografia do Autor

Thais Lemos Duarte, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Pesquisadora de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGS - UFMG), pesquisadora do Centro de Estudos da Criminalidade e Segurança Pública (CRISP - UFMG). Desenvolveu consultorias sobre sistema penal e prevenção à tortura. É bacharel em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGSA - UFRJ) e doutora em Ciências Sociais pelo Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da UERJ. Coordenou e compôs diversas pesquisas sobre segurança pública e sistema de justiça criminal, assim como fez parte de organizações da sociedade civil e de órgãos de Direitos Humanos, como o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura. Universidade Federal de Minas Gerais. https://orcid.org/0000-0002-9149-7387. In Memorian

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Publicado

2026-03-02

Como Citar

DUARTE, T. L. Perpetradoras de “crimes mais bárbaros”: Aprisionamento feminino, maternidade no cárcere e Marco da Primeira Infância. O Público e o Privado, Fortaleza, v. 23, n. 2, p. e17390, 2026. DOI: 10.52521/opp.v23n2.17390. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/opublicoeoprivado/article/view/17390. Acesso em: 7 mar. 2026.