Os muitos governos da pandemia
Narrativas jornalísticas sobre as gestões extraestatais da Covid-19 nas periferias urbanas brasileiras
DOI:
https://doi.org/10.52521/opp.v23n2.16861Palavras-chave:
Covid-19, Periferias urbanas, Gestões extraestatais, ImprensaResumo
Este artigo analisa as gestões extraestatais da pandemia de Covid-19 nas periferias urbanas brasileiras a partir das representações produzidas pela imprensa hegemônica. O texto questiona a insuficiência de leituras estritamente estado-centradas das dinâmicas periféricas durante a crise sanitária, social e política, dada a sobreposição de governanças e a coexistência normativa que se coloca na vida nas margens urbanas. Para tanto, realizamos uma análise de conteúdo de reportagens publicadas no jornal Folha de São Paulo entre 11 de março de 2019 e 10 de março de 2021. A partir da definição de 51 descritores combinados aos termos “favelas” e “periferias”, foram identificadas 1.832 matérias, das quais 81 tratavam diretamente de ações de gestão extraestatal em periferias. As reportagens destacaram a atuação de associações comunitárias, ONGs, movimentos sociais e coletivos culturais, com ênfase em ações voltadas à distribuição de alimentos, itens de higiene e apoio emergencial, com baixa visibilidade das atuações de grupos religiosos e criminais. Aparentemente, a pandemia tornou mais visível uma ecologia de poderes já existente nas periferias, marcada por arranjos híbridos de governança, nos quais o estado coexiste e se entrelaça com múltiplas formas de autoridade e organização extraestatal.
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