RIO-PAI, LÁGRIMA-MÃE
FAMÍLIA E GÊNERO EM GUIMARÃES ROSA E CONCEIÇÃO EVARISTO
Palabras clave:
Ancestralidade, Memória, Pertencimento, Água, FamíliaResumen
Em “A terceira margem do rio”, de Guimarães Rosa, e “Olhos d’água”, de Conceição Evaristo, desenvolvem-se tramas com aportes nos encontros e desencontros entre pais e filhos. Como paisagem que serpenteia essa “parentia”, encontram-se, no primeiro, um rio; e no segundo, as lágrimas. Em ambas as narrativas, filho e filha, respectivamente, que se encontram no espaço da falta (o desparecimento do pai e a indefinição da cor dos olhos da mãe), empreendem uma busca em direção a uma imagem, paterna e materna, que possa configurar uma presença. Essas duas imagens acionam identidades do masculino e do feminino, da paternidade e da maternidade, como espaços que transitam entre a história e a intimidade, o afeto e o poder. Ambas as tramas contam com vários outros operacionais de leitura, como as questões sociais do campo e da cidade. Por isso, a nossa fundamentação teórica inclui uma abordagem histórica e sociológica (Ariès, 1981; Perrot, 1991; Elias, 1994), filosófica (Badiou, 1995; Han, 2023) e do pensamento acerca da pretitude e da ancestralidade (Oliveira, 2018). Ao final, percebemos que, em ambas as tramas, a água é o condutor (e o dispersor) das identidades que vão se construindo nos contos e reconfigurando os lugares de mãe-pai-filha-filho.
Referencias
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