Spinoza e a passagem ao político ou O que o spinozismo implica em termos de prática teórica

Autores

  • Paulo Domenech Oneto Professor Visitante UFC

Palavras-chave:

Spinoza. Ética. Política. Brasil.

Resumo

A afirmação da imanência ontológica, e a visão dos valores como modos de pensar ancorados no desejo são as duas maiores contribuições filosóficas de Spinoza. A passagem de uma esfera (ontológica) à outra (ética) se faz por meio do conceito de potentia agendi. Todo existente é dotado de uma potência que o define e serve de critério para a reorientação de seu desejo. Uma coisa não nos apetece e não a desejamos porque a consideramos boa. Ao contrário, podemos julgá-la boa porque a desejamos, muito embora esse “desejo” e esse “bom” possam se desvirtuar de nossa potência. Trata-se, portanto, de compreender os mecanismos da natureza com vistas a reorientar o desejo na direção do “útil” entendido como aquilo que é capaz de aumentar nossa potência. O objetivo da filosofia é fazer nascer em nós o desejo pelo que convém à nossa essência, por um “bem útil”. Mas que utilidade é essa? Seria ela identificável com o que vulgarmente entendemos pelo termo? Seria ela incompatível com a associação com outros homens? O objetivo deste artigo é mostrar que não. A articulação spinozista entre o especulativo e o prático é ética e social e isto por dois motivos complementares: 1) pelo fato de que compreender a natureza é compreender os outros homens com os quais estamos necessariamente em contato; 2) porque descobrimos, ao compreender a natureza, que nossas possibilidades diante dela são maiores quando cooperamos com os demais homens. Apesar disso, é preciso que a construção de instâncias políticas leve em consideração a necessidade de algum cerceamento do direito natural (= potência) na medida em que há limites para essa razão que inclui e conclama à cooperação. Este artigo pretende, contudo, ir além dessas considerações gerais para deixar esboçada uma crítica ao uso da filosofia no ambiente acadêmico brasileiro. Aparentemente, a filosofia que se pratica no Brasil destoa da proposta spinozista por ser utilizada como meio de asseguramento de poder ao invés de ser regida por essa preocupação política de inclusão e cooperação.

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Publicado

2007-09-02

Como Citar

Oneto, P. D. (2007). Spinoza e a passagem ao político ou O que o spinozismo implica em termos de prática teórica. Revista Conatus - Filosofia De Spinoza (ISSN 1981-7509), 1(1), 73–79. Recuperado de https://revistas.uece.br/index.php/conatus/article/view/1657