LUTO PROTESTO NA “FABRICAÇÃO” DOS MÁRTIRES DA LUTA PELA TERRA NO BRASIL

Autores

Palavras-chave:

Martírio, Luto, Protesto, Camponeses

Resumo

Este artigo discute os usos políticos da morte dos trabalhadores rurais e seus aliados na luta pela terra no Brasil, a partir da análise do processo de fabricação dos mártires, as vidas exemplares de homens e mulheres que, depois de dedicarem a vida em favor dos direitos dos pobres da terra, continuam a orientar a caminhada dos sobreviventes por meio de sua presença encantada. O culto dos mortos, seja pelas celebrações religiosas, ou pela referência ao sangue da vítima, que se torna semente e alimento da continuidade das lutas, tornam-se ocasiões de protesto e de denúncia das condições produtoras de violência no campo, além de reivindicarem a modificação de tais condições e o respeito aos direitos humanos dos camponeses. O ato de produzir mártires também é uma forma de importar-se com a vida dos pobres da terra, de criar socialmente um valor para aquelas existências frequentemente ignoradas pelo poder político e econômico em nossas sociedades. Enlutar se torna, portanto, uma forma de dizer que as vidas dos camponeses e seus aliados também merecem ser vividas.

Biografia do Autor

Alberto Rafael Ribeiro Mendes, UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ - UFC

Doutorando em História pelo Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal do Ceará e professor da rede de ensino estadual do Ceará. Colunista do site História da Ditadura – HD.

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Publicado

2023-03-08

Como Citar

MENDES, A. R. R. LUTO PROTESTO NA “FABRICAÇÃO” DOS MÁRTIRES DA LUTA PELA TERRA NO BRASIL. CENTÚRIAS - Revista Eletrônica de História, Limoeiro do Norte, v. 1, n. 2, 2023. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/centurias/article/view/10284. Acesso em: 21 jul. 2024.