As vozes, a pena e o pergaminho:
cultura escrita e produção literária no medievo
Abstract
O presente artigo busca examinar a produção literária no Ocidente medieval, com ênfase na relação dialética entre oralidade e escritura, compreendida como um fenômeno condicionado pelas estruturas sociais, políticas e econômicas do período. Objetiva-se aqui discutir a constituição de uma cultura escrita que não anulou a dimensão oral, mas coexistiu e se articulou a ela, conformando múltiplas formas de circulação e apropriação dos textos. A partir de uma análise em que é destacado o papel da aristocracia senhorial (clerical e secular) no patrocínio e na instrumentalização das produções literárias como forma de propaganda e legitimação do poder, buscamos também problematizar o conceito de “literatura” como categoria histórica e socialmente situada, discutindo a noção de consciência literária e a influência das relações de classe sobre a criação e recepção das obras literárias no medievo Ocidental. Por fim, argumenta-se que a compreensão das literaturas medievais requer uma articulação orgânica entre as práticas materiais de produção e as dinâmicas de dominação que marcaram o período, reafirmando a necessidade de uma abordagem crítica que relacione História, Literatura e a práxis social.
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