Processos de resistência:

a cerâmica do Quilombo de Conceição das Crioulas

  • Flávia Wanderley Pereira de Lira Doutoranda em Educação Artística pela Universidade do Porto
  • José Carlos de Paiva Doutor em Pintura pela Universidade do Porto e Professor na Universidade do Porto
  • Maria das Vitórias Negreiros do Amaral Doutora em Artes pela Universidade de São Paulo – USP e Professora na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE
Palavras-chave: modos de vida, resistência, colaboração, cerâmica, arte/educação, comunidade quilombola

Resumo

Em tempos de cerceamento dos direitos garantidos em lei, desconstrução da educação, censura da arte e desvalorização da cultura pelo atual governo federal, busca-se refletir, à luz de Hannah Arendt (2001), o sentido da co-labor-ação na produção material, a partir de vivências ligadas ao fazer-viver da cerâmica na comunidade quilombola de Conceição das Crioulas, situada no sertão central de Pernambuco. Para tanto, a pesquisa que resulta neste artigo transita entre os movimentos de resistência relacionados à terra e ao feminino, segundo a imaginação material de Gaston Bachelard (2001), para compreender os efeitos de retroativação da co-labor-ação na resistência da comunidade, partindo do modo como a comunidade quilombola de Conceição das Crioulas partilha seu território e movimenta suas práticas. De natureza fenomenológica e abordagem qualitativa, este artigo se fundamenta nos relatos e registros das vivências realizadas no período de julho de 2018 a junho de 2019 e nas narrativas de mestras, mestres e pessoas da localidade. Conclui-se que a ideia de co-labor-ação no fazer-viver da cerâmica do Quilombo de Conceição das Crioulas constitui um sentido de fissura na exclusão e cooptação da produção material pelo sistema hegemônico, se pensada como ação política.

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Referências

Arendt, H. (2001). A condição humana. Lisboa, Portugal: Relógio D’Água.Bachelard, G. (2001). A terra e os devaneios da vontade. Ensaio sobre a imaginação das forças. São Paulo, SP: Martins Fontes.Bachelard, G. (2008) A psicanálise do fogo (3a ed). São Paulo, SP: Martins Fontes.Bachelard, G. (2013) A água e os sonhos. Ensaio sobre a imaginação da matéria (2a ed.). São Paulo, SP: Martins Fontes. Carvalho, M. L. A. (2016). Quilombo de Conceição das Crioulas. Belo Horizonte, MG: FAFICH.Decreto n. 6.040, de 7 de fevereiro de 2007. (2007). Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. Brasília, DF.Nascimento, M. J. (2017). Por uma pedagogia crioula: memória, identidade e resistência no quilombo de Conceição das Crioulas-PE (Dissertação de Mestrado). Brasília, DF: Universidade de Brasília.Pitta, D. P. R. (2017). Iniciação à teoria do imaginário de Gilbert Durand (2a ed.). Curitiba, PR: CRV.Rodrigues, M. D. S. (2017). Política de nucleação de escolas: uma violação de direitos e a negação da cultura e da educação escolar quilombola (Dissertação de Mestrado). Brasília, DF: Universidade de Brasília.Silva, G. M. (2012). Educação como processo da luta política: a experiência de “educação diferen-ciada” do território quilombola de Conceição das Crioulas (Dissertação de Mestrado). Brasília, DF: Universidade de Brasília.Verger, P. F. (2002). Orixás. Salvador, BA: Corrupio.

Publicado
2019-07-04
Como Citar
Lira, F. W., Paiva, J., & Amaral, M. das V. (2019). Processos de resistência:. Conhecer: Debate Entre O Público E O Privado, 9(23), 198-219. https://doi.org/10.32335/2238-0426.2019.9.23.1422
Seção
Artigos