Minha carne não me define:

a hipersexualização da mulher negra no Brasil.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.52521/19.5274

Resumo

O artigo realiza uma discussão a respeito da hipersexualização da mulher negra brasileira. Esta pesquisa objetiva uma reflexão sobre as construções históricas do papel de mulheres negras no Brasil, consideradas como mero objeto sexual, negando a ocupação de outros lugares na sociedade que não aqueles vinculados ao exercício da sexualidade ou do trabalho compulsório. Além deste lugar naturalizado, as estatísticas apresentam situações que se perpetuam quando estas assumem outros espaços sociais, como a condição salarial, por exemplo, abaixo da que a mulher branca recebe e, que também é inferior à recebida por homens. Sua cor aponta o lugar social, mas também justifica uma sexualidade para atendimento das necessidades do outro. Os vieses produzidos pela ciência confirmam também este lugar que vem sendo desconstruído a partir de outros olhares, repensados pelos movimentos sociais e uma ciência que considera as diferentes formas de expressão da vida humana. Assim, o objetivo geral do trabalho é analisar os processos de hipersexualização e resistência da mulher negra no Brasil. Para atingir este objetivo, optou-se pela investigação de caráter bibliográfico, por se adequar ao contexto de produção destas reflexões, para melhor compreensão do tema a ser estudado. Conclui-se destacando o papel do movimento de mulheres e, posteriormente, de mulheres negras, no enfrentamento a situações de naturalização do comportamento da mulher negra e seu lugar social, a partir de compreensão equivocada de sua sexualidade a serviço do outro. E ainda, da necessária articulação e ressignificação de valores, a partir de narrativas construídas a partir de seu lugar social, como mulheres que fizeram e continuam fazendo sua própria história.

Palavras-chave: Hipersexualização. Mulher negra. Resistência. História. Brasil.  

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Publicado

2021-12-30