Violência contra mulheres, feminicídio e resistências em tempos de pandemia - N. 37 ( Set.-Dez./2020)

2020-06-06

O aumento da violência de genêro é um dos maiores desafios para a saúde pública no Brasil, na América Latina e no mundo. Desde 2013, a OMS considera este problema uma pandemia. Apesar de recentes avanços, como no caso da legislação brasileira com as Leis Maria da Penha (11.340/2006), do Feminicídio (13.104/2015) e da Importunação Sexual (13.718/2018), estudos e pesquisas sobre o assunto apontaram o aumento e severidade dessa violência nas últimas décadas, mas também maior visibilidade resultante dos movimentos de resistência como o #NiUnaMenos na Argentina, entre outros. No contexto atual da pandemia de covid-19, países como Alemanha, Argentina, China, Estados Unidos, França, Malásia e Cingapura registraram um aumento nos casos de violência contra a mulher durante o período de isolamento social. Diante dessa situação, diferentes estratégias públicas têm sido desenvolvidas e, redes territoriais de solidariedade e denúncia foram ativadas em contextos complexos de recessão econômica e confinamento social, com resultados ainda escassos. Em alguns países, pelo contrário, os estados contribuem para a impunidade e agravamento do problema, ao não promoverem sua prevenção, investigação e sanção a partir de estratégias abrangentes.

Nesse contexto, apesar do avanço  evidenciado pelas leis e políticas públicas nacionais e internacionais que buscam coibir as práticas de violência contra a mulher, essa é uma questão estrutural que assume expressõres particulares em nível local, o que exige análises e medidas que considerem sua complexidade. No contexto da quarentena, em decorrência da pandemia de Covid-19, muitas vítimas passam a conviver mais com seus agressores, limitando o acesso a redes de solidariedades locais  e as capacidades estatais mais orientadas para a segurança no espaço público do que para a proteção dos lares. Esse panorama nos coloca, cada vez mais, a necessidade de pensar nas dinâmicas e nas diversas expressões da violência contra as mulheres, bem como nas estratégias de prevenção e resistências, pessoais e coletivas, para reverter esse processo global e a violência simbólica que o comporta. Nesse sentido, convidamos pesquisadores e pesquisadoras a apresentarem suas reflexões e análises derivadas de estudos e pesquisas sobre o assunto em diferentes contextos sociais, políticos e culturais, independentemente de cruzarem ou não o caminho da pandemia de Covid-19.

 

Sugestões de temáticas a serem abordadas:

  • Agravamento da violência contra a mulher durante a pandemia de covid-19;
  • Determinações sócio-históricas da violência de gênero e da interseccionalidade étnico-racial, geracional, de classe e de deficiência;
  • Gênero, diversidade sexual e violência;
  • Violência de gênero em diferentes populações e contextos (povos indígenas, migrantes, refugiados, crianças e adolescentes, namorados, idosos, em contextos de confinamento, ambientes de trabalho, outros);
  • Violência institucional contra a mulher e suas diversas expressões (violência produzida pelos campos científico, midiático, simbólico, jurídico, jornalístico, biomédico, religioso e outros);
  • Armas de fogo, masculinidade hegemônica e fatores de risco para a violência de gênero;
  • Políticas públicas e ações abrangentes para combater a violência contra as mulheres em todas as áreas e departamentos governamentais, abordagem multiagências e transversal;
  • Práticas inovadoras em ações comunitárias e políticas públicas para combater a violência contra a mulher durante a pandemia de covid-19;
  • Feminismos, lutas e resistências para enfrentar a violência de gênero;
  • Estratégias de desconstrução da masculinidade tóxica;

 

Editora

Glaucíria Mota Brasil - Doutora em Política Social e Serviço Social (PUC-SP) com Estágio de Pós-doutoramento em Sociologia(UFRGS), Professora Emérita do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Estadual do Ceará/UECE, pesquisadora do CNPq e membro do Grupo de Trabalho Violencias, Políticas de Seguridad y Resistencias do CLACSO- Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais. 

Organizadoras

Alejandra Otamendi - Investigadora Asistente CONICET/Instituto de Investigaciones Gino Germani (IIGG)/Universidad de Buenos Aires (UBA). Docente de Metodología de la Investigación, Carrera de Sociología, UBA. Doctora en Sociología de la Universidad de Buenos Aires (UBA) y de EHESS (Paris) e membro do Grupo de Trabalho Violencias, Políticas de Seguridad y Resistencias do CLACSO- Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais. 

Milena Fernandes Barroso -  Doutora em Serviço Social(UERJ) com estágio doutoral na Universidade do Québec - Canadá e estágio PROCAD no PPGPS/UnB, Professora do Curso de Serviço Social no Instituto de Ciências Sociais e Zootecnia-ICSEZ e do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e Sustentabilidade da Amazônia da Universidade Federal da Amazônia (PPGSSSA-UFAM). 

Márcia Esteves de Calazans -  Doutora em Sociologia(UFRGS) com Estágio de Pós-doutoramento pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia(INCT/CNPq) Violência, Democracia e Segurança Cidadã,USP e atualmente realiza Estágio de Pós-doutoramento no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, é membro do Grupo de Trabalho Violencias, Políticas de Seguridad y Resistencias do CLACSO- Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais. 

Prazo para submissão: 31/08/2020

Submissões no site: https://revistas.uece.br/index.php/opublicoeoprivado/index

Previsão de publicação: Entre setembro e dezembro de 2020 (N. 37, Set./Dez.2020)

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Violencia contra mujeres, feminicidio y resistencia em tiempos pandémicos – N.37 (

sept.-dic./2020

El aumento de la violencia de género es uno de los mayores desafíos para la salud pública en Brasil, América Latina y el mundo. Desde el año 2013, la OMS considera este problema una pandemia. A pesar de recientes avances, como en la legislación brasileña con la creación de las Leyes Maria da Penha (11.340/2006), de Feminicidios (13.104/ 2015) y la Ley del Acoso Sexual (13.718/2018), estudios e investigaciones sobre el tema han señalado el aumento y la creciente gravedad de esta violencia en las últimas décadas, pero también una mayor visibilidad como resultante de los movimientos de resistencia como #NiUnaMenos en Argentina, entre otros. En el actual contexto de la pandemia del Covid-19, países como Alemania, Argentina, China, Estados Unidos, Francia, Malasia y Singapur registraron un aumento de casos de violencia de género durante el período de aislamiento social. Ante esta situación, se generaron distintas estrategias públicas y se activaron redes territoriales de solidaridad y de denuncia en contextos complejos de recesión económica y confinamiento social, aunque los resultados sean escasos. Al contrario, en algunos países los estados contribuyen con la impunidad y agravamiento del problema, al no promover su prevención, investigación y sanción desde estrategias integrales.

En este marco, la violencia contra la mujer adquiere expresiones particulares a nivel local, lo que requiere análisis y medidas que consideren la complejidad y la diversidad del fenómeno y de las resistencias a este problema. En una situación de aislamiento debido a la pandemia de Covid-19, muchas víctimas necesitan vivir más intensamente con sus agresores en sus hogares, teniendo un acceso más limitado a redes locales de solidaridad y capacidades estatales orientadas hacia la seguridad de las mujeres. Este panorama incrementa, cada vez más, la necesidad de pensar las dinámicas y las diversas expresiones de la violencia contra las mujeres, así como en las estrategias de prevención y formas de resistencias, tanto personales como colectivas, para revertir este proceso mundial y la violencia simbólica que lo respalda. En este sentido, invitamos a las y los investigadores a presentar sus reflexiones y análisis derivados de estudios y investigaciones sobre el tema desde diferentes contextos sociales, políticos y culturales.

 Sugerencias de temáticas a tratar:

  • El agravamiento de la violencia contra la mujer durante la pandemia de Covid-19;
  • Determinaciones sociohistóricas de la violencia de género e interseccionalidad étnico-racial, generacional, de clase y discapacidades;
  • Género, diversidad sexual y violencias;
  • Violencia de género en diferentes poblaciones y contextos (pueblos indígenas, migrantes, refugiados, niños y adolescentes, noviazgos, adultas mayores, en contextos de encierro, ámbitos laborales, otros);
  • Violencia institucional contra las mujeres y sus diversas expresiones (violencia producida por los campos científico, mediático, simbólico, legal, periodístico, biomédico, de las religiones y otros);
  • Armas de fuego, masculinidad hegemónica y factores de riesgo de la violencia de género;
  • Políticas públicas y acciones integrales para combatir la violencia contra las mujeres en todas las áreas y departamentos gubernamentales, multiagencialidad, enfoque transversal;
  • Prácticas innovadoras en acciones comunitarias y políticas públicas para abordar la violencia contra la mujer durante la pandemia de Covid-19;
  • Feminismos, luchas y resistencias para enfrentar la violencia de género;
  • Estrategias de deconstrucción de la masculinidad tóxica;

 

Editora

Glaucíria Mota Brasil - Doutora em Política Social e Serviço Social (PUC-SP) com Estágio de Pós-doutoramento em Sociologia(UFRGS), Professora Emérita do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Estadual do Ceará/UECE, pesquisadora do CNPq e membro do Grupo de Trabalho Violencias, Políticas de Seguridad y Resistencias do CLACSO- Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais.    

Organizadoras

Alejandra Otamendi - Investigadora Asistente CONICET/Instituto de Investigaciones Gino Germani (IIGG)/Universidad de Buenos Aires (UBA). Docente de Metodología de la Investigación, Carrera de Sociología, UBA. Doctora en Sociología de la Universidad de Buenos Aires (UBA) y de EHESS (Paris) e membro do Grupo de Trabalho Violencias, Políticas de Seguridad y Resistencias do CLACSO- Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais. 

Milena Fernandes Barroso -  Doutora em Serviço Social(UERJ) com estágio doutoral na Universidade do Québec - Canadá e estágio PROCAD no PPGPS/UnB, Professora do Curso de Serviço Social no Instituto de Ciências Sociais e Zootecnia-ICSEZ e do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e Sustentabilidade da Amazônia da Universidade Federal da Amazônia (PPGSSSA-UFAM). 

Márcia Esteves de Calazans -  Doutora em Sociologia(UFRGS) com Estágio de Pós-doutoramento pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia(INCT/CNPq) Violência, Democracia e Segurança Cidadã,USP e atualmente realiza Estágio de Pós-doutoramento no Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, é membro do Grupo de Trabalho Violencias, Políticas de Seguridad y Resistencias do CLACSO- Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais. 

Plazo para envío: 31/08/2020

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Fecha prevista de publicación: Entre septiembre y diciembre de 2020 (N. 37, sept.dic./2020)

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