v. 34 n. 3 (2024): Revista Ciência Animal
Artigos de Revisão

ESOFAGOTOMIA INTRATORÁCICA EM CÃO PARA REMOÇÃO DE CORPO ESTRANHO

Julia Seibt RODRIGUES
Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ)
Gabriele Maria Callegaro SERAFINI
Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ)
Marcella Teixeira LINHARES
Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ)
Brenda Viviane Götz SOCOLHOSKI
Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ)

Publicado 2024-10-10

Palavras-chave

  • Canino,
  • Osso,
  • Esofagoscopia,
  • Esofagorrafia

Como Citar

RODRIGUES, J. S.; SERAFINI , G. M. C.; LINHARES, M. T.; SOCOLHOSKI, B. V. G. ESOFAGOTOMIA INTRATORÁCICA EM CÃO PARA REMOÇÃO DE CORPO ESTRANHO . Ciência Animal, [S. l.], v. 34, n. 3, p. 172 a 184, 2024. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/cienciaanimal/article/view/14222. Acesso em: 9 jan. 2026.

Resumo

Corpos estranhos esfágicos (CEEs) são objetos inanimados que obstruem o lúmen do esôfago de forma parcial ou completa. Nota-se maior prevalência em cães jovens de raças pequenas, devido aos seus hábitos alimentares pouco seletivos. Todavia, a afecção pode acometer cães de qualquer idade e tamanho. Em cães, a incidência de CEs esofágicos é alta, já nos gatos, é esporádica. Nos casos de ingestão de um CE esofágico, os animais podem apresentar sinais clínicos como: letargia, anorexia, salivação, tentativa de vômito, disfagia, engasgos e dificuldade de deglutição. O diagnóstico se baseia no histórico, sinais clínicos e exames complementares como radiografia, ultrassonografia e endoscopia. Quanto ao tratamento, os CEs podem ser removidos endoscopicamente, sendo este o tratamento de eleição, ou pela abordagem cirúrgica via esofagotomia, esofagectomia ou gastrotomia, entretanto, sua casuística é baixa, se comparada a outras intervenções cirúrgicas em pequenos animais. O prognóstico é favorável na ausência de complicações, como perfurações esofágicas e frente à rápida intervenção e diagnóstico. No presente trabalho, objetivou-se relatar um caso de esofagotomia intratorácica para remoção de CE em um canino macho da raça Spitz Alemão, enfatizando o meio diagnóstico, a conduta clínica e cirúrgica adotada e as complicações observadas durante o período de tratamento da afecção. Após o tratamento, o paciente apresentou boa evolução clínica, demonstrando ser benéfica a mobilização trans-diafragmática do omento associada a técnica de gastrostomia, a fim de auxiliar e acelerar a cicatrização do órgão.

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