REZAR, BENZER E CURAR
ARTICULANDO AS HISTORIOGRAFIAS DA SAÚDE PÚBLICA BRASILEIRA E CEARENSE COM AS PRÁTICAS E MEMÓRIAS DE UMA REZADEIRA DE FORTALEZA-CE
DOI:
https://doi.org/10.52521/rc.v3i7.15721Palavras-chave:
Saúde Pública. Rezadeira. Memória Social.Resumo
Com base no pensamento de Chartier, o estudo sobre as práticas e as representações coletivas é essencial para o entendimento do ser humano como animal cultural, que dentre outros aspectos, busca questionar a separação rígida entre cultura popular e cultura erudita. É neste contexto que o artigo se insere, tendo como objetivo buscar relacionar a historiografia da Saúde Pública no Brasil e no Ceará com as memórias de uma rezadeira da Lagoa Redonda, em Fortaleza, buscando aprofundar-se sobre as rezas e benzimentos como práticas complementares à medicina convencional, ressaltando seu valor cultural e simbólico, além de tensionar os saberes populares com os eruditos, inseridos tanto no campo da História Cultural como na História das Saúdes e das Doenças. A pesquisa destaca a construção de práticas populares de cura e sua importância para a narrativa histórica por meio da História Oral. A metodologia adotada é qualitativa e exploratória, fundamentada em fontes bibliográficas e em uma entrevista realizada em 2023 com uma rezadeira local. As rezas e benzimentos, além de oferecerem cuidados alternativos, também desempenham papel fundamental na preservação da Memória Social, contribuindo para o entendimento de experiências individuais e coletivas relacionadas à saúde. O artigo também reforça, portanto, a relevância do saber popular nas abordagens históricas sobre cura e doença frente à modernização e à marginalização social.
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