CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO NA SEÇÃO TEMÁTICA "ESPIRITISMO COMO OBJETO HISTÓRICO: PRÁTICAS, REPRESENTAÇÕES E PROCESSOS DE LEGITIMAÇÃO"

2026-01-16

Prazo para envio de textos: 17 de janeiro a 28 de fevereiro.

Organizadores:

Prof.ª Dr.ª Adriana Gomes:

Orcid: http://lattes.cnpq.br/6627464099657799;

Lattes: https://orcid.org/0000-0002-2220-4456 .

 

Prof. Dr. Marcelo Gulão Pimentel:

Orcid: https://orcid.org/0000-0002-4474-4007;

Lattes: http://lattes.cnpq.br/2382093721923784.

 

Prof. Dr. Sésio Santiago Freire Filho:

Orcid: https://orcid.org/0009-0008-2066-2884;

Lattes: https://lattes.cnpq.br/7484944087324574.

 

Resumo: A partir de meados do século XIX, o Espiritismo, sistematizado por Allan Kardec na França, ultrapassou fronteiras nacionais e consolidou-se como um fenômeno cultural, social e religioso de grande impacto no Brasil. Sua expansão esteve associada à constituição de redes de sociabilidade e à circulação de impressos, livros e periódicos, que favoreceram a formação de centros, associações e espaços de debate público. Ao ser apropriado por médicos, professores, intelectuais e lideranças políticas, o Espiritismo articulou práticas de cura, assistência social, educação moral e filantropia, tornando-se parte de um campo de ação concretamente inserido na vida social. Esses movimentos configuraram práticas que ultrapassaram o âmbito religioso, interferindo em projetos educativos, em iniciativas de organização comunitária e na constituição de uma cultura letrada voltada à divulgação doutrinária.Simultaneamente, o Espiritismo produziu representações que circularam na imprensa, na literatura e em diferentes suportes textuais e iconográficos. A construção de narrativas sobre figuras de referência, a elaboração de memórias e a preservação de arquivos institucionais e pessoais contribuíram para consolidar determinadas imagens do movimento e de seus protagonistas, influenciando o modo como o Espiritismo passou a ser percebido pela sociedade e pela historiografia. Tais representações compuseram discursos sobre racionalidade, progresso e modernidade, atribuindo à doutrina um lugar específico no imaginário social. Além disso, o Espiritismo percorreu processos de legitimação que envolveram a busca por reconhecimento social e intelectual, especialmente por meio do diálogo com o vocabulário científico e com ideias de moralidade e modernização. A relação com discursos médicos, educacionais e filosóficos, somada à ocupação de espaços públicos e à atuação em práticas assistenciais, ampliou sua credibilidade social e consolidou seu papel como agente de formação cultural. O dossiê propõe reunir pesquisas que abordem o Espiritismo como objeto histórico, considerando suas práticas sociais, suas representações e seus processos de legitimação, de modo a ampliar o campo de estudos sobre a presença do Espiritismo na conformação de sensibilidades modernas, na produção de saberes e na construção de memórias coletivas. Pretende-se, assim, estimular interpretações renovadas e análises historiográficas que reconheçam o Espiritismo como elemento significativo na história cultural e social brasileira.

 

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Atenciosamente, Equipe Editorial da Centúrias.

(Limoeiro do Norte – CE, 16 jan. 2026).