PODER E PATENTES INDÍGENAS NO PÓS-DIRETÓRIO
UMA ANÁLISE SOBRE AS CONFIRMAÇÕES DE PATENTES DO OFICIALATO INDÍGENA NO ESTADO DO GRÃO-PARÁ NA VIRADA DO SÉCULO XVIII PARA O XIX
DOI:
https://doi.org/10.52521/92xkzt12Keywords:
Indígenas, Tropas de Milícias, Patentes Militares, América PortuguesaAbstract
This article analyzes the presence and performance of Indigenous individuals within the officer corps of the Light Militia Troops in the State of Grão-Pará in the period following the abolition of the Indian Directorate, marked by the promulgation of the Royal Charter of May 12, 1798. It examines the processes of appointment and confirmation of military commissions granted to Indigenous subjects between 1798 and 1803, highlighting the bureaucratic procedures involved, the decision-making authorities, and the criteria mobilized to legitimize these offices. Based on the analysis of documentation from the Overseas Historical Archive (AHU), the Public Archive of the State of Pará, and royal legislation, the article discusses how military commissions functioned as instruments for the reorganization of colonial power while simultaneously enabling Indigenous insertion, social mobility, and the maintenance of leadership roles within the Luso-colonial military structure. It concludes that, in the post-Directorate period, Indigenous actors were not merely incorporated into Portuguese Crown military policies but also acted strategically and proactively, making use of available legal mechanisms to secure positions of prestige, protection, and political influence, thereby revealing dynamics of negotiation, adaptation, and Indigenous agency in the process of Amazonian colonization.
References
Fontes
Arquivo Histórico Ultramarino (AHU) – Projeto Resgate (Avulsos do Pará)
AHU, cx. 53, doc. 4872.
AHU, cx. 58, doc. 5270.
AHU, cx. 118, doc. 9099.
AHU, cx. 119, doc. 9144.
AHU, cx. 119, doc. 9180.
AHU. cx. 120, doc. 9246.
AHU, cx. 121, doc. 9306
AHU, cx. 121, doc. 9343.
AHU, cx. 122, doc. 9428.
AHU, cx. 121, doc. 9306.
AHU, cx. 121, doc. 9276.
AHU, cx. 121, doc. 9335.
AHU, cx. 124, doc. 9579.
AHU, cx. 124, doc. 9580.
AHU, cx. 127, doc. 9773.
AHU, cx. 127, doc. 9778.
Arquivo Público do Estado do Pará – APEP
APEP, códice 549, doc. 0264.
APEP, códice 549, doc. 0269.
APEP, códice 549, doc. 0270.
APEP, códice 549, doc. 0292.
APEP, códice 549, doc. 0293.
APEP, códice 549, doc. 0295.
APEP, códice 549, doc. 0296.
APEP, códice 549, doc. 0312.
APEP, códice 549, doc. 0315.
APEP, códice 549, doc. 0333.
APEP, códice 549, doc. 0334.
APEP, códice 549, doc. 0338.
APEP, códice 549, doc. 0386.
APEP, códice 549, doc. 0388.
APEP, códice 549, doc. 0389.
APEP, códice 549, doc. 0395.
APEP, códice 550, doc. 0087.
APEP, códice 570, doc. 0039.
Instituto Histórico e Geográfico do Brasil – IHGB
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO BRASIL (IHGB). Carta Régia ao Capitão-General do Pará acerca da emancipação e civilização dos índios; e resposta dele acerca de sua execução [12 de maio de 1798]. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, tomo XX, p. 433–445, 1857.
Bibliografia
ALMEIDA, Maria Regina Celestino de. Metamorfoses indígenas: identidade e cultura nas aldeias coloniais do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2003.
ARAÚJO, Maiara Silva. Tropas pagas e ordenanças: perfil social dos militares da capitania do Rio Grande (séculos XVII–XIX). 2019. 234 f. Dissertação (Mestrado em História) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2019.
ARENZ, Karl Heinz; HENRIQUE, Márcio Couto. Em linhas tortas: os regimentos tutelares e os indígenas amazônicos (séculos XVII–XIX). Belém: Editora Cabana, 2021.
BAENA, Antônio Ladislau Monteiro. Ensaio corográfico sobre a Província do Pará. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2024.
BARROSO, Gustavo. História militar do Brasil. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2019.
BOXER, Charles R. O Império Marítimo Português, 1415–1825. Tradução de Inês Silva Duarte. Lisboa: Edições 70, 1969.
CARDOSO, Alírio; BASTOS, Carlos Augusto; NOGUEIRA, Shirley Maria Silva (org.). História Militar da Amazônia: guerra e sociedade (séculos XVII–XIX). Curitiba: CRV, 2015.
CASTRO, Adler Homero Fonseca. Os Pedestres do século XVIII: um protótipo de forças especiais? Revista do IHGM, Rio de Janeiro, ano 75, n. 103, p. 47–76, 2016.
CASTRO, Celso; IZECKSOHN, Vitor; KRAAY, Hendrik (org.). Nova História Militar brasileira. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004.
COTTA, Francis Albert. Os Terços de Homens Pardos e Pretos Libertos: mobilidade social via postos militares nas Minas do século XVIII. Revista de Humanidades, Caicó, v. 3, n. 6, p. 71–95, out. 2002.
COELHO, Mauro Cezar. Do sertão para o mar: um estudo sobre a experiência portuguesa na América a partir da Colônia – o caso do Diretório dos Índios (1751–1798). 2005. 433 f. Tese (Doutorado em História) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.
CUNHA, Manuela Carneiro da (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
DA COSTA, Paulo Marcelo Cambraia. De mãos dadas pela foz do rio Amazonas: as vilas de Vistosa da Madre de Deus, Nova Mazagão e São José de Macapá. In: DA COSTA, Paulo Marcelo Cambraia. Em verdes labirintos: a construção social da fronteira franco-portuguesa (1760–1803). 2018. Tese (Doutorado em História) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018. p. 176–224.
DE MELLO, Christiane Figueiredo Pagano. Forças militares no Brasil colonial: Corpos de Auxiliares e de Ordenanças na segunda metade do século XVIII. Rio de Janeiro: E-papers, 2009.
MELLO, Cristiane Figueiredo Pagano de. Os corpos de ordenanças e auxiliares e as relações militares e políticas na América portuguesa. História: Questões & Debates, Curitiba, n. 45, p. 67–96, 2006.
FRAGOSO, João; BICALHO, Maria Fernanda; GOUVÊA, Maria de Fátima. O Antigo Regime nos trópicos: a dinâmica imperial portuguesa (séculos XVI–XVIII). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.
FERREIRA, Elias Abner Coelho; VIANA, Wania Alexandrino. Canoas de guerra, canoas do sertão: Protagonismo indígena na Amazônia colonial portuguesa. Acervo, Rio de Janeiro, v. 34, n. 2, maio/ago. 2021.
FERREIRA, Gabriela de Andrade. A Reforma Militar lusitana nas tropas Auxiliares e de Ordenanças de pretos e pardos (1762–1808). 2022. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2022.
MAXWELL, Kenneth. Marquês de Pombal: paradoxo do Iluminismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
MENDES, Jeferson dos Santos. As tropas de ordenanças na Ilha de Santa Catarina durante os setecentos. Cadernos do CEOM, Chapecó, v. 31, n. 49, p. 23–32, 2018.
MELLO, Marcia Eliane Alves de Souza; BARROSO, Daniel Souza. Não somente indígenas como também africanos: uma introdução à demografia do Estado do Grão-Pará e Rio Negro (1778–1823). Revista Maracanan, Rio de Janeiro, n. 15, p. 141–160, jul./dez. 2016.
MONTEIRO, John Manuel. Negros da Terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
MOREIRA, Vânia Maria Losada. Espírito Santo indígena: conquista, trabalho, territorialidade e autogoverno dos índios (1798–1860). Vitória: Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, 2017.
MOREIRA NETO, Carlos de Araújo. Índios na Amazônia, de maioria a minoria (1750–1850). Petrópolis: Vozes, 1988.
NOGUEIRA, Shirley Maria Silva. “A soldadesca desenfreada”: politização militar no Grão-Pará da Era da Independência (1790–1850). 2009. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009.
POSSAMAI, Paulo (org.). Conquistar e defender: Portugal, Países Baixos e Brasil. São Leopoldo: Oikos, 2012.
ROCHA, Rafael Ale. Os oficiais índios na Amazônia pombalina: sociedade, hierarquia e resistência (1751–1798). 2009. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2009.
ROCHA, Rafael Ale. O aldeamento do Maracanã: os índios e a sociedade colonial na capitania
do Pará (Século XVII). Revista Anos 90, Porto Alegre, RS, v. 28, p. 1-14, 2021. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/anos90/article/view/99296. Acesso em: 30 abr. 2026.
ROCHA, Rafael Ale. “Conquistadores, restauradores e principais: o perfil das elites indígenas na América Portuguesa”. In: SANTOS, Fabrício L. et al. O Diretório dos Índios na América Portuguesa. Salvador: EDUFBA, 2025, p. 181-219.
SAMPAIO, Patrícia Maria Melo. “Vossa Excelência mandará o que for servido...”: políticas indígenas e indigenistas na Amazônia portuguesa do final do século XVIII. Tempo, Niterói, n. 23, p. 39–55, 2007.
SAMPAIO, Patrícia Maria Melo. Espelhos partidos: etnia, legislação e desigualdade na Colônia. Manaus: EDUA, 2011.
SANTOS, Rafael Rogério N. dos; MATOS, Frederik; SANJAD, Nelson. Itinerários indígenas na implantação do Horto Botânico do Grão-Pará (1760-1810). Acervo, [S.L.], v. 34, n. 2, p. 1-22, 16 ago. 2021.
SANTOS, Rafael Rogério Nascimento dos. O Diretório dos Índios, a exploração do mundo natural e os indígenas do Vale Amazônico. In: SANTOS, Fabrício L. et al. O Diretório dos Índios na América Portuguesa. Salvador: EDUFBA, 2025, p. 65–82.
SILVA, Kalina Vanderlei. Francisco de Brito Freyre e a reforma militar de Pernambuco no século XVII. In: POSSAMAI, Paulo (org.). Conquistar e defender: Portugal, Países Baixos e Brasil. São Leopoldo: Oikos, 2012.
VIANA, Wania Alexandrino. Gente de guerra, fronteira e sertão: Índios e Soldados na Capitania do Pará. Belém: LF, 2021.
VIANA, Wania Alexandrino. Os indígenas e o militarismo luso no Estado do Grão-Pará e Maranhão (1750–1778). Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, Belém, v. 10, n. 1, p. 109–125, jan./jun. 2023.
Downloads
Published
Issue
Section
License
Copyright (c) 2026 Pedro Souza dos Santos

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.






