v. 32 n. 4 (2022): Revista Ciência Animal
Artigos Originais

INTOXICAÇÃO DE CÃES POR VENENOS DE ANUROS: PREVALÊNCIA, DANOS AOS ANIMAIS E PROTOCOLOS CLÍNICOS

Diana Aguiar PIRES
Curso de Medicina Veterinária, Centro Universitário do Norte (UNINORTE)
Kamila Paz de SOUSA
Curso de Medicina Veterinária, Centro Universitário do Norte (UNINORTE)
André de LIMA BARROS
Grupo de pesquisa em Metabolômica e Espectrometria de Massas, Universidade do Estado do Amazonas

Publicado 2022-12-25

Palavras-chave

  • Anuros,
  • Cães,
  • Intoxicação,
  • Veneno de anuros

Como Citar

PIRES, D. A.; SOUSA, K. P. de; LIMA BARROS, A. de. INTOXICAÇÃO DE CÃES POR VENENOS DE ANUROS: PREVALÊNCIA, DANOS AOS ANIMAIS E PROTOCOLOS CLÍNICOS. Ciência Animal, [S. l.], v. 32, n. 4, p. 60–74, 2022. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/cienciaanimal/article/view/9953. Acesso em: 9 jan. 2026.

Resumo

Indivíduos da família Bufonidae são comumente associados a casos de intoxicação de cães após contato com o veneno secretado nas glândulas presentes no tegumento, reforçando a importância de tratamentos efetivos após esta interação. Neste trabalho apresentamos uma revisão sobre casos de intoxicação de cães por venenos de anuros, relacionando os principais sintomas nos cães e os protocolos clínicos utilizados. Realizamos uma busca por artigos que relatem casos de intoxicação de cães por anuros nos repositórios Google Scholar, Scielo e PubMed. Utilizamos palavras-chave nos idiomas português e inglês. Um total de 430 artigos foram encontrados, sendo apenas 17 de acordo com a proposta da pesquisa. Os registros encontrados foram para o Brasil, Austrália e Estados Unidos. As espécies de anuros reportadas na literatura foram exclusivamente as do gênero Rhinella. O maior número dos casos registrados no Brasil ocorreu em ambiente urbano. Os principais sintomas descritos após intoxicação de cães foram salivação em excesso, convulsão e vômito. Óbitos também foram encontrados durante a busca. Principais protocolos para o tratamento após envenenamento foram lavagem da cavidade oral do cão, e administração de atropina, diazepam e fluidoterapia. Foi observado que há influência do tamanho dos cães na severidade após intoxicação, sendo os de pequeno porte mais suscetíveis a quadros letais. Sugerimos, por conta do baixo número de registros, que possivelmente a quantidade de casos acerca desta temática seja subestimado. Neste estudo evidenciamos que os protocolos utilizados para o cuidado dos cães intoxicados não são realizados de forma padrão, alterando de acordo com o quadro clínico apresentado.

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