v. 30 n. 2 (2020): Suplemento 1 (I TCC FATENE)
Relato de Caso

UTILIZAÇÃO DE ANESTESIA TOTAL INTRAVENOSA EM FELINO SUBMETIDO A OÓFOROSALPINGOHISTERECTOMIA

Marcos Antônio Cruz de SOUSA FILHO
Faculdade Terra Nordeste (FATENE)
Leticia Ferreira da COSTA
Universidade Estadual do Ceará (UECE)
David Lopes do VALE
Médico Veterinário Autônomo
Paula Bittencourt VAGO
Faculdade Terra Nordeste (FATENE)
Anderson Pinto ALMEIDA
Faculdade Terra Nordeste (FATENE)

Publicado 2022-11-21

Palavras-chave

  • Anestesia intravenosa total,
  • Propofol,
  • Remifentanila

Como Citar

SOUSA FILHO, M. A. C. de .; COSTA, L. F. da .; VALE, D. . L. do .; VAGO, P. B. .; ALMEIDA, A. P. . UTILIZAÇÃO DE ANESTESIA TOTAL INTRAVENOSA EM FELINO SUBMETIDO A OÓFOROSALPINGOHISTERECTOMIA. Ciência Animal, [S. l.], v. 30, n. 2, p. 1–08, 2022. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/cienciaanimal/article/view/9621. Acesso em: 9 jan. 2026.

Resumo

O presente estudo objetivou analisar um protocolo de anestesia intravenosa total para a realização de ovariosalpingohisterectomia em gato doméstico (Felis catus), fêmea, sem raça definida, com idade de 2 anos e pesando 3,425 kg. A medicação pré-anestésica foi realizada com maropitant (1mg/kg), metadona (0,3mg/kg), midazolam (0,3mg/kg) e dexmedetomidina (3mcg/kg), na indução foi utilizado propofol (4mg/kg). Na manutenção utilizou-se propofol (0,15mg/kg/h) e remifentanila (0,15µg/kg/min), ambos em infusão contínua. Como parâmetros, foram mensurados e avaliados eletrocardiograma, frequência cardíaca e respiratória, onda pletismográfica de pulso, oximetria, capnografia, temperatura, pressão arterial não invasiva sistólica, diastólica e média. Ademais, também foram avaliados o grau de sedação, qualidade da indução anestésica, tempo de recuperação e dor pós-operatória. A paciente apresentou grau de sedação satisfatório após a medicação pré-anestésica. Durante o período trans-anestésico observou-se constância no plano anestésico, alto grau de analgesia e relaxamento suficiente, além de estabilidade cardiovascular e hemodinâmica, permitindo a realização do procedimento cirúrgico sem intercorrências. A remifentanila promoveu intensa analgesia, permitindo que velocidade de infusão do propofol permanecesse na dose de 0,15mg/kg/h durante toda a manutenção anestésica. A infusão de cloridrato de remifentanila associado ao propofol provocou depressão respiratória, porém os demais parâmetros mostraram-se dentro dos padrões sugeridos para a espécie felina. No pós-operatório não houve complicações e a paciente apresentou tempo de recuperação rápido. O grau de dor pós-operatória observado foi considerado leve (3,3%). Sendo assim o protocolo empregado neste estudo foi seguro, visto as mínimas alterações fisiológicas que provocou, além de adequado para o procedimento de OSH em gatos.

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Referências

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