v. 32 n. 1 (2022): Revista Ciência Animal
Relato de Caso

ACHADOS POST MORTEM EM CÃES INTOXICADOS POR PICADAS DE ABELHAS

Felipe Martins PASTOR
Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Heloísa Cristina Teixeira de CARVALHO
Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias (UFU)
Natasha Rodrigues PONTES
Faculdade de Medicina Veterinária (UFU)
Matias Pablo Juan SZABÓ
Faculdade de Medicina Veterinária (UFU)

Publicado 2022-11-17

Palavras-chave

  • Apis mellifera,
  • Degeneração,
  • Himenópteros,
  • Necrose,
  • Toxina

Como Citar

PASTOR, F. M. .; CARVALHO, H. C. T. de .; PONTES, N. R. .; SZABÓ, M. P. J. . ACHADOS POST MORTEM EM CÃES INTOXICADOS POR PICADAS DE ABELHAS. Ciência Animal, [S. l.], v. 32, n. 1, p. 151–159, 2022. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/cienciaanimal/article/view/9457. Acesso em: 9 jan. 2026.

Resumo

As intoxicações por picadas de abelhas possuem grande relevância na medicina humana e veterinária. Os componentes da toxina apresentam ações lesivas aos tecidos, principalmente aos rins, e podem culminar com a morte, mesmo quando a dose inoculada é pequena. A identificação precoce desse tipo de intoxicação permite a implementação de medidas terapêuticas adequadas e a melhoria do prognóstico. Desta forma, o presente estudo foi desenvolvido com o objetivo de relatar os achados anatomopatológicos observados em dois cães, sem raça definida, os quais foram vítimas fatais de picadas de abelhas. Os animais eram irmãos de ninhada, um macho e uma fêmea, com três anos de idade e com cerca de 30kg. Os cães foram encontrados mortos no período da noite, já em rigor mortis, o que conduziu à suspeita de que a morte havia ocorrido há, no máximo, cinco horas. As principais lesões macroscópicas observadas foram: petéquias cutâneas, algumas associadas à presença de ferrões; congestão generalizada; hemorragia; necrose e edema; assim como insetos com morfologia compatível com Apis mellifera dispersos no trato gastrointestinal. Microscopicamente, degeneração, necrose e hemorragias renais constituíram os achados de maior importância, além de acentuado edema pulmonar, ao qual foi atribuída a causa mortis. Assim, as alterações mais importantes neste tipo de intoxicação são necrose, hemorragia, edema e congestão. Além disso, o óbito pode ocorrer de forma rápida, mesmo com baixas doses da toxina.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

  1. ALMEIDA, R.A.; OLIVO, T.E.; MENDES, R.P.; BARRAVIERA, S.R.; SOUZA, L.R.; MARTINS, J.G.; HASHIMOTO, M.; FABRIS, V.E.; FERREIRA JUNIOR, R.S.; BARRAVIERA, B. Africanized honeybee stings: how to treat them. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v.44, n.6, p.755-761, 2011.
  2. AZEVEDO-MARQUES, M.M.; FERREIRA, D.B.; COSTA, R.S. Rhabdomyonecrosis experimentally induced in Wistar rats by Africanized bee venom. Toxicon, v.30, n.3, p.344-348, 1992.
  3. BARBOSA, A.; LESLIE, B.; CHIPPAUX, J.P.; MEDOLAGO, N.B.; CARAMORI, C.A.; PAIXÃO, A.G.; POLI, J.P.V.; MENDES, M.; SANTOS, L.; FERREIRA, R.S., JR.; BARRAVIERA, B. A clinical trial protocol to treat massive Africanized honeybee (Apis mellifera) attack with a new Apilic antivenom. Journal of Venomous Animals and Toxins including Tropical Diseases, v.23, 2 n.14, p,1-10, 2017.
  4. BRASIL, Ministério da Saúde. Saúde de A a Z. Acidentes por Animais Peçonhentos. Disponível em: <http://portalms.saude.gov.br/saude-de-az/acidentes-por-animais-peconhentos>. Acesso em: 08 jun 2021.
  5. BURKE, J.E.; DENNIS, E.A. Phospholipase A2 structure/function, mechanism, and signaling. Journal of Lipid Research, v.50, p.237-242, 2009.
  6. CALDAS, S.A.; GRAÇA, F.A.S.; DE BARROS, J.S.M.; ROLIM, M.F.; PEIXOTO, T.D.C.; PEIXOTO, P.V. Lesions caused by Africanized honeybee stings in three cattle. Journal in Brazil of Venomous Animals and Toxins including Tropical Diseases, v.19, n.18, p.1-5, 2013.
  7. COWELL, A.K.; COWELL, R.L.; T.LER, R.D.; NIEVES, M.A. Severe systemic reactions to Hymenoptera stings in three dogs. Journal of the American Veterinary Medical Association, v.198, n.6, p.1014-1016, 1991.
  8. DE GRAAF, D.; BRAGA, M.R.B; DE ABREU, R.M.M.; BLANL, S.; BRIDTS, C.H.; DE CLERCK, L.S; DEVREESE, B.; EBO, D.G.; FERRIS, T.J.; HAGENDORENS, M.M.; JACOMINI, D.L.J.; KANCHEV, I.; KOKOT, Z.J.; MATYSIAK, J.; MERTENS, C.; SABATO, V.; VAN GASSE, A.L; VAN VAERENBERGH, M. Standard methods for Apis mellifera venom research. Journal of Apicultural Research, Ahead-of-Print, p.1-31, 2021.
  9. FERREIRA JUNIOR, R.S.; SCIANI, J.M.; MARQUES-PORTO, R.; LOURENÇO JUNIOR, A.; ORSI, R.O.; BARRAVIERA, B.; PIMENTA, D.C. Africanized honey bee (Apis mellifera) venom profiling: Seasonal variation of melittin and phospholipase A2 levels. Toxicon, v.56, n.3, p.355-362, 2010.
  10. FITZGERALD, K.T.; FLOOD, A.A. Hymenoptera stings. Clinical Techniques in Small Animal Practice, v.21, n.4, p.194-204, 2006.
  11. FRANÇA, F.O.S.; BENVENUTI, L.A.; FAN, H.W.; DOS SANTOS, D.R.; HAIN, S.H.; PICCHI-MARTINS, F.R.; CARDOSO, J.L.C.; KAMIGUTI, A.S.; THEAKSTON, R.D.G.; WARRELL, D.A. Severe and fatal mass attacks by ''killer'' bees (Africanized honey bees Apis mellifera scutellata) in Brazil: clinicopathological studies with measurement of serum venom concentrations. QJM: An International Journal of Medicine, v.87, n.5, p.269-282, 1994.
  12. GRISOTTO, L.S.D.; MENDES, G.E.; CASTRO, I.; BAPTISTA, M.A.S.F.; ALVES, V.A.; YU, L.; BURDMANN, E.A. Mechanisms of bee venom-induced acute renal failure. Toxicon, v.48, n.1, p.44-54, 2006.
  13. GUIMARÃES, J.V.; COSTA, R.C.; MACHADO, B.H.; REIS, M.A. Cardiovascular prolife after intravenous injection of africanized bee venom in awake rats. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, v.46, n.1, p.55-58, 2004.
  14. HABERMANN, E. Bee and wasp venoms. The biochemistry and pharmacology of their peptides and enzymes are reviewed. Science, v.177, n.4046, p.314-322, 1972.
  15. HOMMEL, D.; BOLLANDARD, F.; HULIN, A. Multiple African honeybee stings and acute renal failure. Nephron, v.78, n.2, p.235-236, 1998.
  16. HUMBLET, Y.; SONNET, J.; VAN YPERSELE, D.E.; STRIHOU, C. Bee stings and acute tubular necrosis. Nephron, v.31, n.2, p.187-188, 1982.
  17. LEE, M.T.; SUN, T.L.; HUNG, W.C.; HUANG, H.W. Process of inducing pores in membranes by melittin. Proceedings of the National Academy of Sciences, v.110, n.35, p.14243-14248, 2013.
  18. MACHADO, M.; DE SOUSA, D.E.R.; DE ALBUQUERQUE LANDI, M.F.; MEZIARA, T.; WILSON, S.M.H.; BECCON, C.F.; DE CASTRO, M.B. Reação tóxica sistêmica causada por picadas de abelhas em cães. Acta Scientiae Veterinariae, v.46. n.1, pub.271, p.1-5, 2018.
  19. MANOQUERRA, A.S. Hymenoptera stings. In: LING, L.; CLARK, R.F.; ERICKSON, T. Toxicology Secrets. Filadélfia: 1ª ed., Hanley & Belfus, p.281-284, 2001.
  20. MEDEIROS, C.R.; FRANÇA, F.O.S. Acidentes por abelhas e vespas. In: CARDOSO, J.L.C.; FRANÇA, F.O.S.; WEN, F.H.; MALAQUE, C.M.S.; JUNIOR, V.H. Animais peçonhentos no Brasil: biologia, clínica e terapêutica de acidentes. São Paulo: 1ª ed., Savier, p.243-251, 2003.
  21. MELLO, M.H.S.H.; SILVA, E.A.; NATAL, D. Abelhas africanizadas em área metropolitana do Brasil: abrigos e influências climáticas. Revista de Saúde Pública, v.37, n.2, p.237-241, 2003.
  22. MENDES, R.P.; MEIRA, D.A.; TEIXEIRA, U.A.; MOLINARI, H.; RODRIGUES, P.S.; COELHO, K.Y.R. Acidente por múltiplas picadas de abelha: relato de dois casos, revisão da literatura e discussão da patogenia e tratamento. Arquivos Brasileiros de Medicina, v.64, n.2, p.81-88, 1990.
  23. MUHAMMAD, G.; SAQIB, M.; MALLICK, S. H. Honey-bee stinging (apisination): what the medical and veterinary professionals ought to know? Pakistan Veterinary Journal, v.20, n.4, p.209-211, 2000.
  24. OLIVEIRA, E.C.; PEDROSO, P.M.; MEIRELLES, A.E.; PESCADOR, C.A.; GOUVÊA, A. S.; DRIEMEIER, D. Pathological findings in dogs after multiple Africanized bee stings. Toxicon, v.49, n.8, p.1214-1218, 2007.
  25. ORŠOLIC, N. Bee venom in cancer therapy. Cancer and Metastasis Reviews, v.31, n.1, p.173-194, 2012.
  26. PETROIANU, G.; LIU, J.; HELFRICH, U.; MALECK, W.; RÜFER, R. Phospholipase A2-induced coagulation abnormalities after bee sting. The American Journal of Emergency Medicine, v.18, n.1, p.22-27, 2000.
  27. RICHES, K.J.; GILLIS, D.; JAMES, R.A. An autopsy approach to bee sting-related deaths. Pathology, v.34, n.3, p.257-262, 2002.
  28. ROODT, A.R.; SALOMÓN, O.D.; ORDUNA, T.A.; ORTIZ, L.E.R.; SOLÍS, J.F.P.; CANO, A.A. Envenenamiento por picaduras de abeja. Gaceta Médica de México, v.141, n.3, p.215-222, 2005.
  29. SANTOS, A.M.M.; MENDES, E.C. Abelha africanizada (Apis mellifera L.) em áreas urbanas no Brasil: necessidade de monitoramento de risco e acidentes. Revista Sustinere, v.4, n.1, p.117-143, 2016.
  30. SANTOS, L.D.; PIERONI, M.; MENEGASSO, A.R.S.; PINTO, J.R.A.S.; PALMA, M.S.A. new scenario of bioprospecting of Hymenoptera venoms through proteomic approach. Journal of Venomous Animals and Toxins including Tropical Diseases, v.17, n.4, p.364-377, 2011.
  31. SCHMIDT, J.O. Toxinology of venoms from the honeybee genus Apis. Toxicon, v.33, n.7, p.917-927, 1995.
  32. SCIANI, J.M.; MARQUES-PORTO, R.; LOURENÇO JUNIOR, A.; ORSI, R.O.; FERREIRA JUNIOR, R.S.; BARRAVIERA, B.; PIMENTA, D.C. Identification of a novel melittin isoform from Africanized Apis mellifera venom. Peptides, v.31, n.8, p.1473-1479, 2010.
  33. SHERMAN, R.A. What physicians should know about Africanized honeybees. Western Journal of Medicine, v.163, n.6, p.541, 1995.
  34. THOMAS, E.; MANDELL, D.C.; WADDELL, L.S. Survival after anaphylaxis induced by a bumblebee sting in a dog. Journal of the American Animal Hospital Association, v.49, n.3, p.210-215, 2013.
  35. VEADO, H.C.; CONCEIÇÃO, R.S.; NOGUEIRA, K.; FINO, T.C.M.; SILVA, A.S.; CASTRO, M.B.; SOTO-BLANCO, B.; CÂMARA, A.C.L. Massive Africanized honeybee stings in two hair sheep and a mare. Toxicon, v.177, p.35-40, 2020.
  36. VETTER, R.S.; VISSCHER, P.K.; CAMAZINE, S. Mass envenomations by honey bees and wasps. Western Journal of Medicine, v.170, n.4, p.223-227, 1999.