v. 31 n. 1 (2021): Revista Ciência Animal
Relato de Caso

ASPERGILOSE SISTÊMICA EM POTRO (Equus caballus)

Jéssica Line Farias de Lima
Laboratório Regional de Diagnóstico da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Fabiano da Rosa Venancio
Laboratório Regional de Diagnóstico da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Leonardo Schuler Faccini
Laboratório Regional de Diagnóstico da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Carolina Buss BRUNNER
Laboratório Regional de Diagnóstico da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Angelita dos Reis Gomes
Hospital de Clínicas Veterinárias (UFPel)
Taís Scheffer Del Pinho
Laboratório de Micologia Veterinária (UFPel)
Josiane Bonel
Laboratório Regional de Diagnóstico da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

Publicado 2021-12-31

Palavras-chave

  • Fungemia,
  • Aspergillus sp.,
  • equine

Como Citar

LIMA, J. L. F. de .; VENANCIO, F. da R. .; FACCINI, L. . S. .; BRUNNER, C. B. .; GOMES, A. dos R.; DEL PINHO, T. S. .; BONEL, J. . ASPERGILOSE SISTÊMICA EM POTRO (Equus caballus). Ciência Animal, [S. l.], v. 31, n. 1, p. 146–152, 2021. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/cienciaanimal/article/view/9431. Acesso em: 9 jan. 2026.

Resumo

O gênero Aspergillus compreende espécies de fungos saprotróficos, globalmente distribuídos, sendo os Aspergillus seção Fumigati conhecidos por causarem doença em humanos e animais imunocomprometidos. Os sinais clínicos dependem do sistema acometido, podendo apresentar febre branda, cólicas intensas, pneumonias, micose de bolsa gutural, e, ocasionalmente, lesões no sistema nervoso central. O presente trabalho objetiva relatar os sinais clínicos, os achados de necropsia e a histologia de um caso de aspergilose sistêmica em um potro de oito meses de idade. O animal apresentava refluxo enterogástrico, peristaltismo aumentado, fezes pastosas, dor abdominal e desidratação intensa. O quadro clínico evoluiu para óbito e o cadáver foi encaminhado para a necropsia. Macroscopicamente, havia sufusões e equimoses na serosa do trato gastrointestinal e ulcerações na mucosa do intestino delgado. No pulmão, havia nódulos multifocais, esbranquiçados e firmes que, ao corte, apresentavam-se císticos, com revestimento interno vinhoso e friável. O coração exibia áreas esbranquiçadas multifocais no miocárdio e os rins continham nódulos avermelhados nas regiões cortical e medular. No encéfalo, havia áreas multifocais amareladas e hemorrágicas com bordos avermelhados. Microscopicamente, observaram-se áreas multifocais de necrose com infiltrado inflamatório granulomatoso no intestino, pulmão, encéfalo, miocárdio e nos rins. Hifas fúngicas intralesionais e intravasculares foram observadas no encéfalo e no pulmão. Estruturas de fenótipo compatível com Aspergillusfumigatus foram observadas na cultura fúngica. Amostras encaminhadas para virologia apresentaram-se positivas para Herpesvírus Equino (HVE) tipo 1 e 4. O diagnóstico de aspergilose sistêmica foi determinado pelo histórico clínico, imunossupressão, achados macroscópicos, histológicos, isolamento do fungo e à infecção concomitante por HVE.

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