v. 35 n. 3 (2025): Revista Ciência Animal
Artigos Originais

ENTEROBACTÉRIAS ISOLADAS EM Didelphis albiventris ORIUNDOS DO MUNICÍPIO DE BOM JESUS /PIAUÍ

Washington Souza NASCIMENTO
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Bárbara Lorrany Bezerra ARAUJO
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Ayrton Santos de OLIVEIRA
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Manoel Lopes da SILVA FILHO
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Wando Marinho Ferreira RICARDO
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Raylson Pereira de OLIVEIRA
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Débora Costa Viegas de LIMA
Universidade Federal do Piauí (UFPI)

Publicado 2025-10-06

Palavras-chave

  • Animais silvestres,
  • microbiologia,
  • resistência antimicrobiana

Como Citar

NASCIMENTO, W. S.; ARAUJO, B. L. B.; OLIVEIRA, A. S. de; SILVA FILHO, M. L. da; RICARDO, W. M. F.; OLIVEIRA, R. P. de; LIMA, D. C. V. de. ENTEROBACTÉRIAS ISOLADAS EM Didelphis albiventris ORIUNDOS DO MUNICÍPIO DE BOM JESUS /PIAUÍ. Ciência Animal, [S. l.], v. 35, n. 3, p. 26–36, 2025. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/cienciaanimal/article/view/16349. Acesso em: 9 jan. 2026.

Resumo

A família Enterobacteriaceae é representada por mais de 260 espécies e subespécies de bactérias que compõem a
microbiota intestinal de diversas espécies animais, podendo apresentar caráter patogênico para eles e os seres
humanos quando em contato com organismos susceptíveis. Neste sentido, objetivou-se com este estudo isolar e
descrever a presença de enterobactérias na microbiota intestinal de Didelphis albivenntris, um mamífero marsupial
de caráter sinantrópico, que possui um importante papel ecológico incluindo a participação no processo de
endozoocoria. Foram coletadas amostras biológicas da mucosa anal de nove animais com o uso de swabs estéreis.
As amostras foram cultivadas nos Ágares Sangue, Levine, Verde Brilhante e Salmonella Shiguella e incubadas por
24h. Foram evidenciadas 47 colônias e estas analisadas morfotintorialmente por meio da coloração de Gram, todas
em formato de bastonetes gram negativos. Foram isoladas 23/47 (51%) da espécie Klebsiella aerogenes, 10/47
(21%) Klebsiella pneumoniae, 4/47 (8%) Proteus vulgaris, 3/47(6%) Escherichia coli, 3/47 (6%) Proteus
mirabilis, 2/47 (4%) Klebsiella cloacae e 2/47 (4%) do gênero Salmonella. As amostras também foram submetidas
ao teste de sensibilidade frente a antimicrobianos com o método disco-difusão em Ágar Mueller-Hinton e discos
embebecidos com antimicrobianos, apresentando diferentes resistências. Salmonella sp. apresentou 100% de
resistência a Ofloxacina e Escherichia coli 100% de resistência a Doxiciclina e Rifampicina, Klebsiella aerogenes
95,6% de resistência a Rifampicina e 86,9% a Cefixima e Sulfonamidas; Proteus spp. 71,4% a Tetraciclina e
Doxiciclina; Klebsiella pneumoniae 60% de resistência a Tetraciclina e Rifampicina.

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