v. 34 n. 4 (2024): Revista Ciência Animal
Artigos Originais

EUTANÁSIA EM PEQUENOS ANIMAIS: PERSPECTIVAS ÉTICAS, LEGAIS E PSICOLÓGICAS NA PRÁTICA VETERINÁRIA

Natan Ferreira ROCHA
Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Patos (UNIFIP)
Iany Candeia ANTUNES
1Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Patos (UNIFIP)
Thiago da Silva BRANDÃO
1Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Patos (UNIFIP)
Almir Pereira de SOUZA
Programa de Pós-Graduação em Ciência e Saúde Animal da Universidade Federal de Campina Grande

Publicado 2024-12-30

Palavras-chave

  • Doenças ocupacionais,
  • eutanásia animal,
  • legislação,
  • medicina veterinária,
  • saúde mental

Como Citar

ROCHA, N. F.; ANTUNES, I. C.; BRANDÃO, T. da S.; SOUZA, A. P. de. EUTANÁSIA EM PEQUENOS ANIMAIS: PERSPECTIVAS ÉTICAS, LEGAIS E PSICOLÓGICAS NA PRÁTICA VETERINÁRIA . Ciência Animal, [S. l.], v. 34, n. 4, p. 61–72, 2024. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/cienciaanimal/article/view/14727. Acesso em: 9 jan. 2026.

Resumo

A pesquisa adotou uma abordagem exploratória transversal, utilizando um questionário disponibilizado no Google Forms® para médicos veterinários brasileiros, resultando em 70 respondentes. Os dados obtidos foram tratados de forma descritiva empregando o programa Jamovi®, versão 1.6 para Windows. Estes revelaram uma predominância do sexo feminino (55,7%) e uma concentração na faixa etária de 41 a 50 anos (35,7%). A maioria dos participantes (81,43%) indicou possuir alguma forma de pós-graduação, sugerindo interesse em especialização na área de atuação. A prática da eutanásia foi identificada como frequente entre os respondentes (80%), justificada principalmente por doenças terminais (75,7%) e dificuldades financeiras dos tutores (21,4%). No entanto, observou-se uma falta comum de treinamento específico para realização de eutanásia durante a formação acadêmica (65,7%), embora uma proporção significativa se considerasse apta para conduzir o procedimento (83%). Em termos emocionais, a eutanásia impôs uma carga psicológica considerável, refletida em sentimentos como tristeza (74,3%), responsabilidade pelo ato (72,9%), além de incômodo (42,9%) e culpa (22,9%). Concluise que medidas como apoio emocional, treinamento especializado e conscientização sobre os aspectos éticos e emocionais são necessárias para mitigar o impacto da eutanásia na saúde mental dos médicos veterinários, garantindo assim o bem-estar dos profissionais e a qualidade dos cuidados aos animais. Desta forma, objetivou-se com esse estudo analisar o conhecimento, as atitudes e as consequências da prática da eutanásia em cães e gatos por Médicos Veterinários no Brasil.

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