v. 33 n. 2 (2023): Revista Ciência Animal
Artigos Originais

ASPECTOS REPRODUTIVOS DA RAÇA MANGALARGA MARCHADOR NO NORTE DE MINAS GERAIS

José Alcides de Castro Machado RIBEIRO
Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Hanna Gabriela Oliveira MAIA
Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Alcinei Místico AZEVEDO
Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Letícia Ferrari CROCOMO
Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Publicado 2023-07-13

Palavras-chave

  • Agronegócio,
  • Biotecnologia,
  • Equinocultura,
  • Patologia,
  • Reprodução

Como Citar

RIBEIRO, J. A. de C. M.; MAIA, H. G. O.; AZEVEDO, A. M.; CROCOMO, L. F. ASPECTOS REPRODUTIVOS DA RAÇA MANGALARGA MARCHADOR NO NORTE DE MINAS GERAIS. Ciência Animal, [S. l.], v. 33, n. 2, p. 24 a 33, 2023. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/cienciaanimal/article/view/11028. Acesso em: 9 jan. 2026.

Resumo

A equinocultura consiste numa importante atividade do agronegócio brasileiro, movimentando bilhões ao ano e gerando empregos diretos e indiretos. Considerada a raça equina mais numerosa do país, a criação de Mangalarga Marchador se concentra, em especial, no estado de Minas Gerais. Deste modo, este estudo teve como objetivo explorar o cenário clínico-reprodutivo da raça Mangalarga Marchador no Norte de Minas Gerais a fim de compreender o perfil da criação nesta mesorregião. Para isso, foi realizada a aplicação de questionário online, o qual foi preenchido mediante aceite prévio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A amostra foi composta por 52 criadores e os resultados obtidos foram submetidos à análise de frequência pelo teste qui-quadrado. Dentre os dados obtidos, 38% dos criadores relataram o lazer como finalidade de criação (p=0,53). Com relação ao método de acasalamento, 40% informaram a utilização da monta dirigida. Contudo, a maioria (58%; p<0,01) realiza a inseminação artificial, sendo que destes, 62% utilizam o sêmen fresco (p<0,01). Além disso, 51,92% relataram a realização da transferência de embriões (p=0,78). Com relação às enfermidades reprodutivas, o aborto, em fêmeas, e a hérnia inguinal, em machos, foram mais prevalentes com 39,13% (p<0,01) e 83,33% (p<0,01), respectivamente. Foi constatada ainda prevalência da assistência técnica por médico veterinário (86,53%; p<0,01) com periodicidade, em sua maioria, mensal (16,55%; p<0,01). Portanto, é possível inferir que a região do Norte do estado requer melhorias no manejo sanitário-reprodutivo voltado à raça Mangalarga Marchador para que a eficiência reprodutiva desejada seja alcançada.

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