v. 29 n. 1 (2019): Revista Ciência Animal
Artigos Originais

CICATRIZAÇÃO POR SEGUNDA INTENÇÃO DE FERIDAS CUTÂNEAS EM RATOS WISTAR COM USO DE Stryphnodendron adstringens

Adriele Tavares SANTOS
Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM)
José Maurício JÚNIOR
Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM)
Guilherme Nascimento CUNHA
Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM)

Publicado 2023-08-04

Palavras-chave

  • Barbatimão,
  • fitoterápicos,
  • cicatrização,
  • feridas

Como Citar

SANTOS, A. T.; JÚNIOR, J. M.; CUNHA, G. N. CICATRIZAÇÃO POR SEGUNDA INTENÇÃO DE FERIDAS CUTÂNEAS EM RATOS WISTAR COM USO DE Stryphnodendron adstringens. Ciência Animal, [S. l.], v. 29, n. 1, p. 15–29, 2023. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/cienciaanimal/article/view/10951. Acesso em: 10 jan. 2026.

Resumo

Pesquisas recentes vêm descrevendo que o fitoterápico composto pelo extrato da casca de barbatimão contém compostos fenólicos (taninos), que conferem ação antimicrobiana, antioxidante e adstringente por se ligarem a proteínas e polissacarídeos, sugerindo propriedades cicatrizantes. Neste sentido, o presente estudo objetivou avaliar a cicatrização por segunda intenção de feridas cutâneas tratadas com barbatimão. Foram utilizados 15 ratos, machos, hígidos com peso entre 200 a 250g, submetidos a duas incisões: Ferida Controle tratada com solução fisiológica a 0,9% e a Ferida Teste tratada com pomada de barbatimão. Os animais foram subdivididos em três subgrupos com cinco ratos cada: G1 biopsados ao 3º dia pós-cirúrgico, G2 ao 7º dia e G3 ao 14º dia. A avaliação das feridas foi feita do ponto de vista macro e microscópico nos períodos pré-determinados. Após a biópsia foram realizados cortes histológicos corados pela Hematoxilina Eosina (H.E) e Tricômico de Masson (T.M.). Na avaliação dos achados macroscópicos considerou os parâmetros aspecto, coloração do leito da ferida, presença de crostas, exsudação e prurido. Já para as alterações histopatológicas foram analisadas os elementos celulares inflamatórios incluindo fibroblastos, colagenização (fibras colágenas), células inflamatórias e epitelização. Referente aos achados macroscópicos notou-se que no 3° dia não houve alterações significativas; no 7° dia observou-se epitelização parcial e ausência de crosta nas Feridas Teste; ao 14° dia as Feridas Controle apresentaram prurido e epitelização completa e a Ferida Teste apresentou epitelização parcial sem prurido. Quanto às alterações histopatológicas, observou-se que as células inflamatórias das Feridas Controle com 3°, 7° e 14° dias mostraram-se aumentadas em relação à Ferida Teste. Quanto aos fibroblastos e a colagenização não apresentaram alteração ao 3º, 7º e 14º dia pós-operatório. A reorganização das fibras houve distinção biológica entre os 3°, 7° e 14° dias. A epitelização no 3° dia não apresentou alterações significativas, no 7° dia a Ferida Teste mostrou epitelização parcial, no 14° dia ambas a feridas mostraram epitelização completa. Conclui-se que o tratamento com uso de barbatimão se mostrou mais eficiente devido à supressão da inflamação. No entanto, devido seu uso em doses baixas de tanino não otimizou a cicatrização.

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