ENTRE DEMOCRACIA RACIAL E A CIDADANIA DA POPULAÇÃO NEGRA PÓS - ABOLIÇÃO
Palavras-chave:
Organizações Negras, Pós - Abolição, EducaçãoResumo
O presente artigo compreende discutir as tensões sociais e seus desdobramentos nas relações sociais no contexto pós-abolição, partindo do itinerário formativo das organizações negras e suas dissonâncias e consonâncias pelo aporte da educação, com base crucial para uma conscientização racial. Bem como analisar o percurso político e social que abrangeu a Frente Negra Brasileira para o processo de inserção social na sociedade do pós-abolição. Então, a base metodológica contempla uma revisão bibliográfica e periódicos do período. Tal escolha parte de jornais que contemplem sua produção para a comunidade negra, assim como um olhar teórico das relações sociais estabelecidas pela História Social, por uma análise dos sujeitos e suas migrações relacionais para a construção de uma identidade negra por meio da educação. Desta forma, utiliza-se como suporte teórico-conceitual de problematização a democracia racial (FERNANDES, 2008), bem como sua análise ancorada pela memória herdada (POLLAK, 1992), ambos alicerçam o debate sobre a resistência para o alcance da cidadania da população negra no pós-abolição. Por fim, o quanto as organizações negras pós-abolição foram cruciais na construção da identidade por meio da educação, principalmente no que tange os direitos da cidadania plena na sociedade no contexto da pós-abolição.O presente artigo compreende discutir as tensões sociais e seus desdobramentos nas relações sociais no contexto pós-abolição, partindo do itinerário formativo das organizações negras e suas dissonâncias e consonâncias pelo aporte da educação, com base crucial para uma conscientização racial. Bem como analisar o percurso político e social que abrangeu a Frente Negra Brasileira para o processo de inserção social na sociedade do pós-abolição. Então, a base metodológica contempla uma revisão bibliográfica e periódicos do período. Tal escolha parte de jornais que contemplem sua produção para a comunidade negra, assim como um olhar teórico das relações sociais estabelecidas pela História Social, por uma análise dos sujeitos e suas migrações relacionais para a construção de uma identidade negra por meio da educação. Desta forma, utiliza-se como suporte teórico-conceitual de problematização a democracia racial (FERNANDES, 2008), bem como sua análise ancorada pela memória herdada (POLLAK, 1992), ambos alicerçam o debate sobre a resistência para o alcance da cidadania da população negra no pós-abolição. Por fim, o quanto as organizações negras pós-abolição foram cruciais na construção da identidade por meio da educação, principalmente no que tange os direitos da cidadania plena na sociedade no contexto da pós-abolição.
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