v. 32 n. 4 (2022): Revista Ciência Animal
Artigos Originais

OCORRÊNCIA DE ACIDENTES COM ABELHAS ENTRE OS APICULTORES DO SEMIÁRIDO PIAUIENSE

Antônio Ernandes Pereira de ARAÚJO
Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Catiana da Conceição Vieira MELQUÍADES
Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, Universidade Federal Vale do São Francisco
Juliana do Nascimento BENDINI
Curso de Licenciatura em Educação do Campo (UFPI)

Publicado 2022-12-25

Palavras-chave

  • Apicultura,
  • Segurança do trabalho,
  • Semiárido

Como Citar

ARAÚJO, A. E. P. de; MELQUÍADES, C. da C. . V.; BENDINI, J. do N. OCORRÊNCIA DE ACIDENTES COM ABELHAS ENTRE OS APICULTORES DO SEMIÁRIDO PIAUIENSE. Ciência Animal, [S. l.], v. 32, n. 4, p. 37–48, 2022. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/cienciaanimal/article/view/9951. Acesso em: 9 jan. 2026.

Resumo

O objetivo deste trabalho foi avaliar a ocorrência de acidentes com abelhas entre os apicultores da Mesorregião Sudeste do Piauí. Para tanto, foi disponibilizado um formulário on-line através de link compartilhado via WhatsApp. Em relação à adoção de boas práticas para a prevenção de acidentes, observou-se os seguintes pontos positivos: 1) a maioria dos apicultores (63,5%) adota a distância de dois metros ou mais entre as colmeias. 2) Um maior número (94,8%) instala seus apiários acima de 300 metros de distância de vias públicas e/ou estabelecimentos comunitários. 3) 98% utilizam os equipamentos de proteção individuais (EPIs) completos e o fumigador para diminuir a defensividade da colmeia, sendo os EPIs de cores claras. Como ponto negativo, observou-se que 69,8% dos apicultores não sinalizam seus apiários, o que pode ocasionar acidentes com transeuntes. De maneira geral, dentre todos os procedimentos realizados com as abelhas, as ferroadas consistem no tipo de acidente mais comum para 94,2% dos participantes, sendo que, durante a colheita do mel, constitui o procedimento de maior ocorrência. Sobre o agravamento desses acidentes e as comorbidades associadas, observou-se que 1,9% relataram intoxicação e 3,9% necessitaram de atendimento hospitalar devido às ferroadas. Além disso, 6,2% dos entrevistados(as) relataram serem alérgicos. Observou-se, ainda, que 57,3% dos entrevistados desconheciam as técnicas de melhoramento genético como forma de minimizar os acidentes com abelhas. Concluiu-se que, embora os apicultores regionais apresentem conhecimentos técnicos considerados positivos à prevenção dos acidentes, faz-se necessário a implementação de assistência técnica relacionada à seleção de rainhas menos defensivas para o melhoramento genético dos plantéis.

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