v. 29 n. 4 (2019): Revista Ciência Animal
Artigos de Revisão

Spirocerca lupi: ASPECTOS GERAIS DO PARASITO E DA ESPIROCERCOSE EM CÃES

Rebecca Ingryd Coelho de FREITAS
Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Piauí (CCA, UFPI)
Matheus Alencar da Silveira Baldoíno da FONSECA
Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Piauí (CCA, UFPI)
Carolina Alves dos SANTOS
Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Piauí (CCA, UFPI)
Luiz Fernando Wolpert de GOIS
Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Piauí (CCA, UFPI)
Luanna Soares de Melo EVANGELISTA
Dpto de Parasitologia e Microbiologia (CCS, UFPI)

Publicado 2019-12-31

Palavras-chave

  • Canino,
  • espirocercose,
  • nódulos esofágicos

Como Citar

FREITAS, R. I. C. de; FONSECA, M. A. da S. B. da; SANTOS, C. A. dos; GOIS, L. F. W. de; EVANGELISTA, L. S. de M. Spirocerca lupi: ASPECTOS GERAIS DO PARASITO E DA ESPIROCERCOSE EM CÃES. Ciência Animal, [S. l.], v. 29, n. 4, p. 28–70, 2019. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/cienciaanimal/article/view/9770. Acesso em: 9 jan. 2026.

Resumo

O nematódeo Spirocerca lupi, causador da espirocercose, é um parasito que acomete principalmente cães e canídeos silvestres. Seu ciclo biológico envolve hospedeiros intermediários, os besouros coprófagos e pequenas aves, répteis e roedores que servem como hospedeiros paratênicos. A doença é de ocorrência cosmopolita, com maior prevalência em países tropicais e subtropicais, sendo endêmica na África do Sul. Também já foi relatada em alguns países da América do Sul, incluindo o Brasil, sendo mais prevalente em cães de caça e cães errantes. Os vermes adultos parasitam esôfago, estômago e artéria aorta dos hospedeiros definitivos, provocando nódulos, granulomas e diversas lesões. A sintomatologia da espirocercose varia de acordo com o processo migratório do parasito no organismo do animal, os órgãos afetados, bem como a evolução da doença. Sintomas como a regurgitação, a emese, a disfagia e a perda de peso, são as principais manifestações clínicas observadas em cães parasitados. O diagnóstico se baseia nos achados clínicos, exames de imagem, parasitológico de fezes ou das secreções da regugitação, emese e achados de necropsia. O tratamento pode ser clínico, ainda pouco viável, ou cirúrgico para remoção dos nódulos contendo os parasitos. Como medidas preventivas a literatura cita evitar o acesso de cães aos hospedeiros paratênicos e, além disso, eles não devem ser alimentados com vísceras cruas de outros animais domésticos e silvestres.

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